segunda-feira, 21 de abril de 2014
sábado, 15 de março de 2014
segunda-feira, 3 de março de 2014
Bicicletas nos comboios, resposta à CP
As linhas do Douro e Minho têm um potencial a desenvolver que a CP se "recusa" a encarar com visão estratégica responsável.
Relativamente à circulação de passageiros, acompanhados de bicicletas,
nas já citadas linhas do Minho e Douro, a CP tem a dizer o seguinte:
-“Devido às características do material circulante que efetua
o serviço Regional/ Inter-regional nas linhas do Minho e Douro, e não existindo
de modo algum condições para o transporte de bicicletas, não é autorizado o seu
transporte sendo que o mesmo só se destina ao transporte de passageiros.”
Na sequência da reclamação por mim efectuada e que já dei conta neste espaço, passo a contra argumentar:
-As linhas do Minho e do Douro podem transportar-nos a
destinos de enorme interesse para a prática do cicloturismo que, felizmente,
começam a ser muitos no Norte do País.
O investimento, com dinheiros públicos, que tem sido
efectuado, e bem, na criação de ciclovias, nomeadamente através do
aproveitamento das antigas linhas de caminho de ferro merecia da parte da CP
outra atenção e operacionalidade, tendo em vista o usufruto que a oferta turística
proporciona.
As antigas linhas do Corgo, Tâmega e a ciclovia entre Viana do Minho e Ponte de
Lima, são alguns locais a que se podia aceder utilizando as composições da CP e
que no presente não é possível.
O regresso desde Vigo para quem peregrina a Compostela de
bicicleta é igualmente inexequível.
Não seria adequado a CP criar oferta estratégica
diversificada no âmbito da promoção turística nacional, divulgando locais de
interesse e produtos turísticos regionais com interesse nacional e internacional?
Com certeza que sim, porventura em colaboração com as Regiões de Turismo e a
pensar num determinado público-alvo, através de acções promocionais.
A utilização do comboio como transporte ideal para aceder a
locais de inegável interesse turístico, será, por certo, boa política.
Etiquetas:
Caminho de santiago bicicleta,
Ciclovia do Corgo,
ciclovia do Tâmega,
CP,
Linha do Douro,
Linha do Minho,
transporte de bicicletas comboios
domingo, 2 de março de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
DeBicicletaNaCidade
| Estrada de Penacova no limite do Concelho |
A impossibilidade de pedalar nestes dias cinzentos é substituída pela memória que nos recorda os incríveis passeios de bicicleta que o bom tempo proporciona.
No topo dessas recordações, ainda tão frescas, destacam-se as peregrinações a Santiago de Compostela de bicicleta. Resta-nos desejar o aproximar de dias mais longos para voltar ao pedal, por enquanto apenas dá para projectar o próximo Caminho de Santiago, lá para o Verão.
Na esteira das recordações e a propósito do título que escolhi para o presente artigo, passo a contar uma história de infância. Assim, por inícios da década de setenta, o tráfego na
Estrada de Penacova, N 110, era constituído maioritariamente por bicicletas,
motorizadas e uma meia dúzia de veículos automóveis a somar aos autocarros
de transporte rodoviário de passageiros, na altura vulgarmente designadas camionetas da carreira.
![]() |
| Torres do Mondego na década de 70 |
Muitas vezes a aventura corria mal e
a ideia de dar à perna, balançando o rabo sobre uma "burra" tomada de assalto, era premiada com
valente "paulada" de guarda-chuva direitinha às costas.
“O Pequenito”, era assim que o pequeno grupo de "assaltantes de bicicletas" atrás mencionado apelidava um rapaz, de baixa estatura, que todos os dias percorria de bicicleta o caminho entre Coimbra e Penacova, o rapaz, à época, teria apenas catorze anos ou dezasseis anos, não mais, contudo a reduzida estatura apenas permitia que pedalasse uma pequena
bicicleta de roda 24.
Para a malta, ávida de dar umas
voltitas, nem que fosse só em cima de um pedal ou com as pernas pelo meio do
quadro, ver passar alguém mais novo, de estatura semelhante, montado na sua pequena
bicicleta, era de uma inveja tortuosa. Vai daí, enchíamos a paciência do pobre, repetindo
em coro, pequenito, pequenito, pequenito…, numa implicação cada
vez mais radical e demonstrativa de crueldade infantil.
Era a terrível inveja de não ter uma bicicleta, mas tudo acabou em festa no dia em que o "Pequenito" emprestou generosamente a bicicleta. Num repente todos virámos grandes amigos ... mas nunca deixou de ser "O Pequenito".
À época os jovens felizardos que desfrutavam
de bicicleta ou pertenciam a família abastada, ou ao grupo dos que desde os 13 ou
14 anos já aprendiam algum ofício, abandonando precocemente os estudos para ajudar
na economia familiar.
Como sabemos o mundo mudou, a
galopante evolução das últimas quatro décadas foi transformando
progressivamente o tráfego nas estradas implicando a construção de novas vias e
outras edificações com a inerente transformação geográfica. No entanto, são manifestamente raras as novas vias que salvaguardam a circulação de ciclistas com margem de
segurança, sobretudo nas cidades, onde sempre deveria ter existido a
preocupação de conferir maior amplitude a passeios e outras zonas pedonais, o planeamento apenas foi feito em função da circulação automóvel.
| Vista de Penacova, o rio e a estrada encoberta pela vegetação |
Inserida numa paisagem
deslumbrante, que se estende sobre o rio Mondego e encostas sobranceiras, esta
via é hoje muito aproveitada por ciclistas que ao fim de semana ou em passeios
de fim de tarde optam por recrear-se a pedalar.
Numa manhã do mês de Junho de
2007, resolvi substituir o automóvel pela bicicleta na minha deslocação para o
trabalho. Assim, pedalei durante 8 km, distância que separa a localidade de Torres
do Mondego, em Coimbra, da zona da Guarda Inglesa, na mesma cidade, sem grande dificuldade e com muito gozo.
| De bicicleta para o trabalho |
Em 2008 e 2009 repeti a
experiência, nos meses da Primavera e Verão, utilizando a bicicleta nas
deslocações para o trabalho. Por razões diversas abandonei esta prática a
partir de 2010 e recomecei timidamente em 2012, para em 2013 entrar novamente numa prática salutar que dá grande gosto.
No seguimento desta experiência
comecei a interessar-me, com maior afinco, pela temática que se prende com a utilização
de meios suaves de transporte e a pretender contagiar outras pessoas, sempre na procura de mais adeptos.
![]() |
| Numa grande cidade de bicicleta, é possível. |
É meu desejo, como seguramente de
muitas pessoas em Portugal, ver nascer bons projectos, no âmbito da
mobilidade sustentável, destinados às nossas vilas e cidades. É neste sentido que, embora não sendo um especialista, em próxima
edição procurarei ir de encontro a casos de sucesso, evidenciando os seus benefícios, para que possam ser seguidos por demais urbes. O fim a prosseguir aponta no sentido de se obter melhores condições de circulação para ciclistas e peões, no fundo contribuir para a melhoria da qualidade de vida
sábado, 15 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
De Alvaiázere a Coimbra, pelo Caminho Português de Santiago
| Casa em ruinas |
| Amarelo para Santiago e azul Fátima |
Para começar, fui obrigado a subir até próximo de Ansião, a paisagem melhorou à medida em que me fui aproximando desta vila, onde cheguei percorrendo apenas 14 km.
| Ponte da Cal - Ansião |
Depois de em Ansião ter almoçado uma excelente sande de lombo com alface e uma cerveja sem álcool, por apenas € 3,00, voltei ao Caminho, deslumbrante na sua paisagem, entre muros de pedra, oliveiras e carvalhos, aqui e ali com a presença de rebanhos de ovelhas, vigiadas pelos seus pastores.
| Próximo de Cernache, o Sr. Abel e esposa |
Segui depois até à Fonte Coberta, passei ao lado do Rio de Mouros, já com água, até chegar a Conímbriga, Cernache e finalmente Coimbra. 68 km. foi o total da distância percorrida, principalmente por Terras de Sicó, num passeio surpreendente pela sua beleza natural.
domingo, 29 de setembro de 2013
Caminho Português - O Regresso
Vigo, 04 de Agosto de 2013.
| Praia do Samil - Vigo |
Pela manhã, bem cedo, iniciámos o percurso pela costa, que nos iria levar a Caminha. O Aguiar ora seguia na dianteira ora se atrasava, numa cadência ditada pela câmara fotográfica e pela roda de trás que estava sempre a exigir ar.
Reagrupámos em Baiona para o pequeno almoço, onde a distracção da empregada da cafetaria ignorou o pedido do Aguiar que em legítimo acto de protesto resolveu arrancar. Apenas nos viríamos a encontrar em A Guarda.
| Baiona |
O excelente dia de Agosto permitiu que usufruíssemos de um magnífico passeio, ao longo da costa, sempre em zonas cicláveis, e, a partir de Baiona, por ciclovia.
A incursão por Baiona foi premiada por uma pequena actuação de um grupo etnográfico local, de que aqui deixo um excerto da actuação.
| Fortificação - Baiona |
Melhor que quaisquer palavras as imagens ilustram a jornada, que nos agradou bastante, quer pelo ar que respirámos, quer pela beleza da paisagem.
Em A Guarda reagrupámo-nos de novo e aproveitámos para a tradicional tapa e a correspondente cerveja. Esperámos cerca de uma hora pelo ferry que nos atravessou para Caminha.
De imediato nos dirigimos para o apeadeiro da CP, mas em vão, porque por duas vezes nos foi recusado o transporte das bicicletas no comboio.
Uma vergonha, em lugar de incentivarem os utentes a utilizar o comboio mais parece que pretendem o contrário. A CP, que proíbe o transporte de bicicletas nas linhas do Douro e Minho, quando, pela natureza das regiões, teriam que incrementar e incentivar o uso do comboio. Verdadeira estupidez e "tacanhesa" portuguesa, enfim, somos ricos...
A viagem para Coimbra foi de autocarro, para o efeito fomos obrigados a desmanchar e embalar as biclas. As pobres coitadas no fim de tanto tombo que levaram nos Caminhos, nem lhes foi permitido descansar convenientemente, as burrinhas, tão bem que se portaram, excepto a do Aguiar que é mais teimosa e obrigou o dono a periodicamente dar à bomba a partir do quinto dia, mereciam um tratamento mais cuidado, próprio de majestosas éguas.
De imediato nos dirigimos para o apeadeiro da CP, mas em vão, porque por duas vezes nos foi recusado o transporte das bicicletas no comboio.
Uma vergonha, em lugar de incentivarem os utentes a utilizar o comboio mais parece que pretendem o contrário. A CP, que proíbe o transporte de bicicletas nas linhas do Douro e Minho, quando, pela natureza das regiões, teriam que incrementar e incentivar o uso do comboio. Verdadeira estupidez e "tacanhesa" portuguesa, enfim, somos ricos...
A viagem para Coimbra foi de autocarro, para o efeito fomos obrigados a desmanchar e embalar as biclas. As pobres coitadas no fim de tanto tombo que levaram nos Caminhos, nem lhes foi permitido descansar convenientemente, as burrinhas, tão bem que se portaram, excepto a do Aguiar que é mais teimosa e obrigou o dono a periodicamente dar à bomba a partir do quinto dia, mereciam um tratamento mais cuidado, próprio de majestosas éguas.
Clique para ver
Pontevedra a Santiago de Compostela, 75 km.
03 de Agosto de 2012, 5.º dia.
| Albergue de Pontevedra |
Bem no centro da cidade, próximo da ria, encontrámos finalmente uma cafetaria onde os clientes eram maioritariamente peregrinos. Ao balcão, um "borracho" bebia uma cerveja, ao mesmo tempo que tirava do sério o proprietário do estabelecimento.
Pontevedra despertava timidamente, apenas nas proximidades do mercado municipal era visível alguma agitação matinal. Alguns "borrachos" ainda deambulavam pelas ruas. Mas o destaque ia, sem dúvida, para a quantidade de peregrinos, de todas as idades e nacionalidades, que faziam o Caminho Português.
Os primeiros quilómetros, após Pontevedra, sempre na companhia de muitos peregrinos, no Caminho ninguém está só, mesmo os que, por qualquer motivo, pretendam percorrê-lo nessa condição.
Continuámos na companhia de muitos peregrinos, junto à igreja de Santa Maria de Alba estive à conversa com peregrinos provenientes de Cádis, ainda perguntei se conheciam Camilo, um amigo que fez comigo o Caminho Francês em 2007, embora as probabilidades fossem muito poucas.
A beleza do percurso estampa-se nas imagens que apresento, mas é difícil descrever o sentimento que interiorizamos.
A aproximação a Santiago é um estado antagónico, por um lado queremos chegar depressa, por outro apetece continuar no Caminho.
Pontevedra despertava timidamente, apenas nas proximidades do mercado municipal era visível alguma agitação matinal. Alguns "borrachos" ainda deambulavam pelas ruas. Mas o destaque ia, sem dúvida, para a quantidade de peregrinos, de todas as idades e nacionalidades, que faziam o Caminho Português.
![]() |
| Pontevedra - Início da 5.ª Jornada |
![]() |
| Junto à igreja de Santa María de Alba |
![]() |
| Por Caldas de ReisValga |
A beleza do percurso estampa-se nas imagens que apresento, mas é difícil descrever o sentimento que interiorizamos.
A imagem que se repete todos os anos na Praça do Obradoiro, por muito idêntica que possa parecer, encontra sempre particularidades diferentes, o sentimento é sempre novo.
![]() |
| Praça do Obradoiro |
Finalmente a chegada a Santiago de Compostela, pelas 16:16, estava feito o meu Caminho Português, a via mais percorrida, entre Coimbra a Santiago estava por fim concluída. Agora, sempre que passe em Tui não preciso de me lamentar de ainda não ter feito o Caminho Português, como acontecia anteriormente.
Após a conclusão do Caminho Português de Santiago, em 2012 pelo interior, e agora o Caminho Central, a vontade e a determinação de continuar a pedalar em direcção a Compostela mantém-se, quiçá ainda mais acesa. O sonho de repetir o Caminho Francês está latente, assim existam condições para o tornar uma realidade. Porém, enquanto tal não acontece, há que pensar em fazer outros Caminhos mais acessíveis...
Após a conclusão do Caminho Português de Santiago, em 2012 pelo interior, e agora o Caminho Central, a vontade e a determinação de continuar a pedalar em direcção a Compostela mantém-se, quiçá ainda mais acesa. O sonho de repetir o Caminho Francês está latente, assim existam condições para o tornar uma realidade. Porém, enquanto tal não acontece, há que pensar em fazer outros Caminhos mais acessíveis...
Fotos do 5.º dia
Etiquetas:
bicicleta,
byke,
Caldas de Reis,
Caminho,
Caminho central português,
Coimbra,
Iria Flavia,
Padrón,
peregrino,
picture,
Pontevedra,
Portugal,
Português,
Santa Maria de Alba,
Santiago,
Valga
sábado, 28 de setembro de 2013
Crónica do 4.º dia do Caminho Português, entre Rubiães e Pontevedra
Rubiães, 02 de Agosto de 2013.
A noite foi atribulada, um peregrino de nacionalidade alemã passou mal, pelo que foi necessário chamar por socorro médico. Na altura não percebemos bem o que se estava a passar, pensei, inclusive, que seriam os primeiros peregrinos a sair do albergue. O Aguiar continuou sempre ferrado que nem uma pedra, não deu por nada. Finalmente uma noite sem que se tivesse dado por ele.
Este dia iria ser diferente dos anteriores, saímos do albergue, pelas 07:56, à medida que se progredia no Caminho, encontrávamos cada vez mais peregrinos. O pequeno almoço foi tomado em Rubiães, onde contámos com a simpatia e boa disposição do proprietário.
![]() |
| Primeiras horas do Caminho, após saída do albergue de Rubiães |
Na véspera, apesar de termos chegado tarde ainda convivemos um pouco com alguns peregrinos espanhóis, fiquei também a saber pela Olívia, de Viana do Castelo, que as melhores Bolas de Berlim são as do Manel e não do Zé, estou a referir-me ao Natário, que tem as melhores Bolas de Berlim do Mundo.
Após o pequeno almoço aproveitei para trocar contactos com o Vítor Matos, de Coimbra, que fazia a peregrinação na companhia de um espanhol de Saragoça e de uma rapariga de Valência.
A jornada que marcou a entrada do Caminho Português por terras da Galiza, foi caracterizada pelas frequentes paragens, ora para trocar dois dedos de prosa com os peregrinos, ora para as indispensáveis fotos, ou para reabastecimento.
Continuámos a passar pelos peregrinos que viajavam quer em grupos quer individualmente e a transmitir a saudação habitual: Bom Caminho.
| Antiga ponte do rio Minho |
A entrada em Valença foi acompanhada por chuva ligeira, que depressa desapareceu. Subimos à Fortaleza, onde é sempre agradável a vista sobre o Minho bem como para o outro lado da fronteira. Depois de algumas fotos prosseguimos, descendo da Fortaleza em direcção ao antigo posto fronteiriço.
Enquanto atravessava a velha ponte, não resisti a tirar algumas fotos. Estava entusiasmado, tantas foram as vezes que por ali andei, sempre com o mesmo pensamento: "um dia hei-de fazer o Caminho". A entrada em Tui, pelo Caminho Português, tinha que ser assinalada, precisamente junto ao primeiro marco que encontrámos em território galego, e aí tirámos a habitual foto de conjunto.
Prosseguimos pelo vale do rio Minho até encontrar a Ponte da Veiga, antes desta ponte medieval virámos à esquerda, seguindo num passeio agradável por frondosos bosques.
| Monumento ao peregrino, ao fundo a Ponte de Veiga |
Continuámos a seguir as as setas e fizemos uma pausa na histórica Ponte das Febres ou de São Telmo, onde é visível uma placa com os seguintes dizeres Aquí enfermó de muerte São Telmo, en abril de 1246. Pídele que hable con Dios en favor tuyo. São Telmo, bispo patrono de Tuy e de Frómista, faleceu neste local quando se dirigia em peregrinação a Compostela.
| Ponte das Febres ou de São Telmo |
Seguimos pelos bosques até A Madalena, continuámos alcançando outra ponte medieval, a Puente de Orbenlle sobre o rio Louro. Atravessamos a ponte e iniciamos uma ligeira subida até chegar ao Polígono Industrial das Gándaras.
As sucessivas paragens que o Caminho impõe, traduzem-se numa velocidade média mais baixa, assim, nalgumas ocasiões temos que compensar o tempo gasto, para não desvirtuar o plano traçado.
| Puente de Orbenlle |
A travessia do Polígono Industrial do Porriño foi efectuada debaixo de um sol forte, e com a maior velocidade que as pernas permitiam, dado tratar-se de uma zona pouco agradável, muito exposta e movimentada, sem dúvida o ponto negro do Caminho Português, na Galiza, finalmente, depois de um esticão mais forte, para passar o quanto antes a zona industrial, chegámos a Porriño.
| Porriño, centro histórico |
Prosseguimos pela estrada que liga Porriño a Redondela, abandonando-a um pouco à frente, na direcção de Amieiro Longo.
Apesar de o dia ter começado cinzento e até com alguma chuva em Valença, a tarde estava com um sol forte. Assim, em Mos, parámos para beber uma bebida refrescante junto ao Palácio e à igreja barroca de Santa Eulalia.
A acompanhar as bebidas, foram-nos gentilmente oferecidas umas porções de empanada Galega. Posso dizer que vieram mesmo a calhar, o corpo precisava de algum combustível para iniciar, desde Mos a subida de um dos lugares mais simbólicos do Caminho Português, a ingreme subida da Rúa dos Cabaleiros.
Após a difícil subida até ao alto do Inxertado, aqui penso termos recebido a justa recompensa, pela dupla e agradável paisagem verde, dos bosques e dos terrenos sempre muito bem cultivados.
A Galiza faz bem ao corpo e à alma, a agradável sensação de percorrer terras galegas é indescritível, mas seguramente absorvida por todos quantos trilham estes caminhos.
Após a planura de Chan de Pipas, descemos pelo Caminho que envereda pela N550. e depressa chegámos a Redondela, numa altura em que começou a rarear o encontro com os demais peregrinos, a esta hora, muitos já se encontrariam instalados nos albergues. Mas não podíamos pensar ainda em encostar as bicicletas, para nós a jornada teria que terminar em Pontevedra.
Em Redondela efectuámos uma paragem junto ao albergue, situado num edifício histórico do século XVI, conhecido como Casa da Torre, que se destaca pela sua arquitectura e pelo seu uso prático e cultural.
Continuámos em direcção a Pontevedra, descendo o Caminho, rodeados por pinheiros, até aos
Apesar de o dia ter começado cinzento e até com alguma chuva em Valença, a tarde estava com um sol forte. Assim, em Mos, parámos para beber uma bebida refrescante junto ao Palácio e à igreja barroca de Santa Eulalia.
| Duas peregrinas a iniciar a subida da rua dos Cabaleiros |
A acompanhar as bebidas, foram-nos gentilmente oferecidas umas porções de empanada Galega. Posso dizer que vieram mesmo a calhar, o corpo precisava de algum combustível para iniciar, desde Mos a subida de um dos lugares mais simbólicos do Caminho Português, a ingreme subida da Rúa dos Cabaleiros.
Após a difícil subida até ao alto do Inxertado, aqui penso termos recebido a justa recompensa, pela dupla e agradável paisagem verde, dos bosques e dos terrenos sempre muito bem cultivados.
A Galiza faz bem ao corpo e à alma, a agradável sensação de percorrer terras galegas é indescritível, mas seguramente absorvida por todos quantos trilham estes caminhos.
| Inicio da meseta de Chan de Pipas pela via Romana |
O Caminho segue a Via Romana, assinalada pelo miliário de Vilar de Infesta, atravessando a meseta de Chan das Pipas.
| Próximo de Redondela |
| Albergue da Casa da Torre, Redondela |
Ao sair de Redondela comecei a acusar alguma fadiga, um pouco motivada pelo ritmo inconstante e a necessidade de uma refeição, ainda que ligeira, do que pelo acumular de quilómetros realizados.
Passada a ponte do caminho de ferro, segundo informações concelhias, da autoria de Eiffel, o Caminho sobe, rodeado por uma zona arborizada, atingido o cume, iniciámos a descida, interrompida para observar e fotografar a Ría de Vigo e a ilha de San Simón.
Encontrámos de novo a N550, que percorremos, entrando em Arcade, capital das ostras na Galiza. Bem que nos apetecia forrar aqui o estômago, mas era importante chegar, ainda dia, a Pontevedra, assim decidimos que o melhor era mesmo tratar do assunto em Pontevedra, já com banho tomado.
Seguia o Aguiar na frente, secundado pelo Joaquim e ainda pensava na paella que ficou para trás, quando vejo um automóvel sair de uma curva que antecede a histórica Ponte Sampaio, a toda a velocidade e quase desgovernado. Não sei se foi Santiago, mas por pouco o enorme susto não tinha virado em tragédia.
Passada a histórica ponte sobre as águas do rio Verdugo, entrámos em Pontesampaio. Seguimos um dos troços mais bonitos do Caminho Português, na Galiza, a Vrea Vella da Canicoubar, subimos o antigo caminho empedrado até à encruzilhada para Nuestra Señora de Amil, frequentado desde as épocas mais remotas e onde são visíveis marcas das rodas dos carros, sulcadas nas velhas lousas.| Vrea Vella da Canicoubar |
Continuámos em direcção a Pontevedra, descendo o Caminho, rodeados por pinheiros, até aos
vales de Alcouce e Boullosa. A paisagem modifica-se à medida que progredimos, chegando finalmente ao albergue de Pontevedra.
Seguiram-se os afazeres normais até ficarmos instalados, e, após o duche, arriscámos sair do albergue para jantar no centro da cidade.
A partir daqui aconteceu um pouco de tudo, o jantar que coube melhor em sorte ao Joaquim e ao Aguiar, com um aperitivo de deliciosos mexilhões, chuva no regresso, albergue fechado, a termos que passar as bicicletas por cima do gradeamento, e, quando pensámos que o pior tinha passado, as portas do albergue estavam fechadas.
Foi uma sorte umas portuguesas de Braga terem ouvido a minha chamada, sorte porque uma delas reconheceu a minha voz, de termos estado a tagarelar antes da saída para o jantar.
Mas não foi tudo, de tanta pressa que estava, tinha esquecido carteira com dinheiro, máquina fotográfica , tudo, no pátio do albergue. Não fora uma malta de Braga que também estava a fazer o caminho de bici e estava feito.
![]() |
| Velha calçada romana |
![]() |
| A descer para Pontevedra |
Foi uma sorte umas portuguesas de Braga terem ouvido a minha chamada, sorte porque uma delas reconheceu a minha voz, de termos estado a tagarelar antes da saída para o jantar.
Mas não foi tudo, de tanta pressa que estava, tinha esquecido carteira com dinheiro, máquina fotográfica , tudo, no pátio do albergue. Não fora uma malta de Braga que também estava a fazer o caminho de bici e estava feito.
![]() |
| Um bom jantar na Galiza , dá sempre para ficar alegre |
Percorremos na jornada 76 km, chegámos a Pontevedra por volta das 20:00, um pouco exaustos e a necessitar de um bom duche, como de água para beber.
Etiquetas:
bicicleta,
byke,
cabaleiros,
Caminho,
Caminho central português,
chan de pipas,
galiza,
meseta,
Mos,
picture,
Pontesampaio,
Pontevedra,
Porriño,
Portugal,
Português,
Redondela,
Rubiães,
Santiago,
Tui,
Valença
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Crónica do 3.º dia do Caminho Português, entre São Pedro de Rates e Rubiães
| Igreja Românica de São Pedro de Rates |
Primeiro dia de Agosto e terceiro do nosso Caminho, fomos dos últimos peregrinos a acordar e a sair do albergue de Rates.
O plano traçado para a jornada impunha que fossemos dormir a Rubiães, o que equivale a dizer que forçosamente teríamos que passar a mítica e difícil Serra da Labruja.
Os primeiros raios de sol começaram timidamente a querer surgir de um céu acinzentado. Após a preparação das bicicletas, dirigimo-nos ao único café aberto nas cercanias, muito próximo da velha e magnífica igreja românica.
| Pequeno almoço em Rates |
Pelas 08:30, após o o pequeno almoço, recreámo-nos a tirar fotografias à igreja românica de São Pedro de Rates, uma das jóias da arquitectura religiosa medieval portuguesa.
Os primeiros quilómetros foram de reencontro com os peregrinos que na véspera conhecêramos no albergue de Rates e muitos outros que pelo Caminho fomos encontrando.
Uma pequena história ressalta ainda do dia anterior, trata-se da jovem hospedeira que simpaticamente nos acolheu no albergue. Assim, contou-nos que ao fim de algum tempo a acolher e assistir peregrinos, ela mesmo iria iniciar o seu Caminho, a partir de Rates. A ansiedade quase não a deixou dormir e foi das primeiras a partir. Após alguns anos de trabalho voluntário, finalmente resolveu fazer o seu próprio Caminho, partilhar as suas vivências.
| O lendário Galo de Barcelos |
A aproximação de Barcelinhos e logo a seguir Barcelos, originou nova paragem. O Joaquim Tavares e o José Botelho demoraram um pouco com a fotografia. Depois de passar a ponte a pose ao lado do famoso Galo de Barcelos e a oportunidade para comer uma saborosa bola de Berlim e beber um café com leite.
O Minho em Agosto fervilha de gente, as ruas de Barcelos estavam plenas de turistas, emigrantes e peregrinos.
Dos inúmeros motivos de interesse da cidade de Barcelos, destaco o templo do Bom Jesus da Cruz, que assinala o aparecimento miraculoso de uma cruz de terra negra no chão barrento da feira, em 20 de Dezembro de 1504, templo que abriu ao culto em 1710. Trata-se de uma edificação de cúpula e planta centrada, com o espaço interior disposto grega, da autoria do Arquitecto João Antunes.
| Barcelos e ao fundo a igreja do Bom Jesus da Cruz |
Um pouco absorto com o templo do Bom Jesus da Cruz, que não canso de admirar, novo desencontro aconteceu, desta vez fiquei para trás. Pensando estar na frente fui rolando devagar, sem pressa, esperando o reagrupamento.
| Peregrinos a Santiago |
Como a demora era muita obtive a informação de um peregrino que regressava de Santiago, a caminho de Fátima, que me informou da diferença de uns bons 15 a 20 minutos para os meus amigos.
Foi hora para dar corda aos sapatos e imprimir um ritmo mais forte, o tipo de percurso também ajudava. Finalmente o reencontro, no rio Neiva, junto à Ponte das Tábuas, momento aproveitado para uns mergulhos na água límpida e cristalina do rio.
Aqui não poupámos tempo, bem pelo contrário, apetecia ficar para o resto do dia, não fosse o objectivo programado. Sem dúvida um bom momento.
Serpenteando por terrenos de cultivo do milho ao passar o cruzamento da N201 com a N308, resolvi fazer um pequeno desvio, parei num café para comprar uma bebida e reabastecer de água, tentei comprar fruta, mas sem sucesso uma vez que o minimercado estava encerrado, salvou-me a jovem do café, dispensando-me algumas laranjas e um BTTista de Silves a fazer o Caminho em companhia de um grupo de espanhóis, oriundos de Murcia, que me ofereceu um plátano.
![]() |
| Piquenique no pinhal |
Com a dupla Joaquim/Aguiar uns 10 a 15 minutos à frente, entrei numa zona de bosque. A subida de algum relevo, era amenizada pela sombra. Mais à frente reagrupámos novamente para uma pequena refeição, em jeito de piquenique.
A aproximação a Ponte de Lima era desejada, aqui efectuámos uma paragem para refeição na Tasca das Fodinhas, onde o Cardápio da Márcia era bem sugestivo, como podeis ver na foto.
Não podíamos relaxar muito, como diz o velho ditado, o rabo é o pior de esfolar, e ainda tinha-mos que esfolar a subida da Serra da Labruja!
| O esforço da subida |
![]() |
| Subida da Labruja |
Descer a Labruja também não é fácil, há sobretudo que ser cuidadoso, para não hipotecar o resto do Caminho.
Chegámos a Rubiães às 20:30, debaixo de um céu cinzento e ligeiros chuviscos, tendo pedalado nesta jornada 77,70 km.
Com o albergue lotado, restou-nos dormir na sala de refeições. Do pouco tempo que dispúnhamos ainda ouve lugar para entabular alguma conversa com o Vítor Matos de Coimbra e com a Olívia de Viana do Castelo e com alguns peregrinos espanhóis.
No entanto o duro final de jornada não podia terminar sem um merecido jantarinho no restaurante mais próximo do albergue, na companhia simpático pessoal de cozinha, do dono e do empregado de mesa.
Fotos do 3.º dia
Subscrever:
Mensagens (Atom)
-001.jpg)

.jpg)















