Santiago - Finisterra - Muxia

Santiago - Finisterra - Muxia 


Primeiros km depois Santiago
Saindo de Coimbra pelas sete horas, chegámos a Santiago pouco passava da uma da tarde. Antes de iniciarmos os preparativos para começar a etapa, com a montagem das rodas e a colocação dos alforges, atacámos uma enorme costeleta de novilho no “Xugo”, restaurante simpático perto da cidade universitária.

Já montados nas bicicletas passámos pela "Oficina do Peregrino", ao lado da Catedral, local que marcou o arranque da etapa, por volta das 16.00 horas.

Seguindo sempre a indicação das setas amarelas, os primeiros quilómetros foram passados a evitar algumas árvores caídas no caminho, ainda consequência do mau tempo e vendaval da semana anterior.

Vencidas as primeiras dificuldades, o percurso tornou-se mais suave depois da passagem por Ponte de Maceira, aldeia situada nas margens do rio Tambre envolta numa magnífica paisagem natural , onde se destaca a beleza do rio e a vegetação envolvente, a ponte em pedra, que remonta ao período medievo, e o aglomerado habitacional típico das aldeias galegas.

À medida que nos afastávamos de Compostela, em direcção à costa, respirava-se cada vez mais o ar puro dos bosques, que nem mesmo os pequenos fragmentos de bosta de vaca, sarapintados nas nossas pernas e bicicletas não conseguiam contrariar


Negreira
O propósito de chegar a Oliveiroa no mesmo dia era praticamente inatingível, face à hora tardia do começo da etapa, assim optou-se por pernoitar inicialmente no albergue de Negreira. Como tal se mostrou impossível, a alternativa foi por ficar numa residencial, também em Negreira, que nos permitisse um banho retemperador para ajudar a vencer a dura jornada que se adivinhava no dia seguinte.

Por muito que se possa escrever e por à evidência as fotografias mais sugestivas, fazer o caminho é uma verdadeira paixão e um prazer incrível, quer pela beleza envolvente, quer pelo convívio, quer ainda pela atmosfera que se respira. O stress desaparece por completo e inebriamo-nos pelos elementos paisagísticos, culturais, históricos, enfim por um misticismo milenar que nos transcende e nos transporta para a abstracção de todos os problemas do quotidiano.

Os primeiros raios de sol
Para encerrar o primeiro dia, um passeio nocturno por Negreira, para descomprimir, e, naturalmente, o merecido jantar para compensar o esforço dispendido na jornada.

A saída pelas 07.00 da manhã, obrigou à colocação de "perneiras", apenas o Quim resistiu à colocação das mesmas. O pequeno almoço na residencial foi insuficiente face ao ritmo que empreendemos e rapidamente foi absorvido. A etapa adivinhava-se longa, e, tendo em conta os primeiros quilómetros percorridos, antevia-se fantástica. Foi com satisfação que convivemos com a belíssima paisagem galega, e respirámos o perfume dos bosques.


Oliveiroa - Quarto de albergue num milheiro
Em Oliveiroa, pequeno povoado típico da Galiza, parámos para colocar o sêlo no albergue de peregrinos, que tem a particularidade de dispor de quartos adaptados em "milheiros", 

O cheiro do mar já se começava a antever. A dado momento em que caminho de desdobrava em duas alternativas, para aceder ao mesmo ponto, ultrapassei os meus companheiros de viagem, pensando que estivessem para a frente. Como não os via, e a falta de bateria no telemóvel não permitia o reagrupamento, forcei a pedalada quanto pude, aproveitando o vento a favor, num troço rápido de um planalto com uma vista deslumbrante.

Passei como uma flecha por uma feira medieval, em local ermo e mas interessantíssimo atendendo à paisagem envolvente o meu atraso impediu paragem. Continuei a pedalar a bom ritmo, com o mar no horizonte, a vista do mesmo, a partir do planalto forçou uma paragem obrigatória, justificadíssima. "Os raios de sol a incidir sobre a água, produziam uma tela em tons de azul e platina, simplesmente deslumbrante.

O mar de Finisterra, em baixo a baía de Corcubion.
Finisterra à vista, ainda que tapada por uma pequena cadeia de montes. Quase sem dar por isso, depois de ter parado para fazer algumas fotos, deparei-me com uma descida rapidíssima, de inclinação bem acentuada. Cerrei bem os dentes e, o medo de um "espalhanço” deu lugar a uma certa adrenalina. Bem que foram importantes as dicas que o Aguiar e o Quim, por mero acaso, me tinham dado na véspera. A satisfação de ter vencido um percurso bem difícil e arriscado, foi fantástica, tendo em conta a minha pouca aptidão para troços mais técnicos.

Ao fim desta "façanha" sucedeu a entrada em Corcubion. Logo que entrei na primeira cafetaria e assim que me prestava para telefonar, reparei que o Quim e o Aguiar também tinham acabado de chegar. As duas vias de opção que circundaram o santuário da povoação que antecedeu a Corcubion, originaram estes desencontros.

Passeio à beira mar
O mar estava a convidar, e decidimos responder ao apelo da forma que se impunha, refrescando o corpo para os quilómetros que ainda faltavam para chegar a Muxia.

Depois do banho, seguiu-se o almoço em Corcubion, e um passeio de bicicleta pela praia. A Finisterra chegámos perto das 18:00, as pernas, já cansadas, começavam a reclamar dos perto de 80 a 90 quilómetros já percorridos.

Apesar do adiantado da hora ,decidimos seguir para Muxia. A noite começava lentamente a cair, como o Quim e o Aguiar estavam mais frescos, pedi-lhes para irem na frente, de modo a chegarem mais cedo à pousada. Devido à pouca luz e à urgência em chegar a Muxia, abandonámos o troço que seguíamos e optámos por uma via paralela, que permitia o encurtar de caminho.

Cabo Finisterra
Finalmente quando já me encontrava a 3 Kms de Muxia, recebo um telefonema do Quim, tinham encontrado uma Casa de Turismo Rural, e, era lá que iríamos pernoitar, deixando Muxia para o dia seguinte.

Depois da magnífica e dura jornada, o merecido repouso na casa de Fonte Queiroso. O jantar farto, e, sobretudo, rico em boa comida, manteiga caseira a barrar um pão saboroso, peixe, sobremesa, enfim o que nos faltava para finalizar a etapa. 


No dia seguinte, após o excelente pequeno almoço -não dá para esquecer aquela manteiguinha gostosa no pão- percorridos os primeiros quilómetros de uma jornada que se antevia longa, até Santiago, o Quim ficou com uma roda da bicicleta danificada. Como diz o ditado, há males que vêm por bem. Assim, pudemos percorrer, em calma, a povoação de Muxia, convivemos com as peregrinas espanholas, por sinal bastante simpáticas e divertidas.

Muxia
Uma heróica ciclista alemã, que percorreu cerca de 2000 kms, de bicicleta, com uma mochila às costas. Ainda nos convidou para que ficássemos por ali na sua companhia, para o dia seguinte, mas tal era impossível. Neste caso o tempo contado impedia que fossemos simpáticos. Depois do almoço, na esplanada de um restaurante típico galego, seguiu-se a viagem de autocarro até Santiago, o convívio com as peregrinas espanholas foi engraçado, e, por fim a chegada a Santiago, e, os preparativos para a viagem até Coimbra.

Veja aqui o Clip de vídeo da jornada.   


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