quinta-feira, 28 de março de 2013

Caminho Português Santiago - I


Após um interregno de dois anos, eis-me novamente a caminho de Santiago de Compostela. Desta vez, a partir de Coimbra, onde realizei um pequeno prólogo, com início na Igreja de São Tiago, na Praça do Comércio, na companhia do José Aguiar e do Joaquim.
Junto à Igreja de São Tiago, em Coimbra, início do Caminho 
Percorremos as ruas da baixa citadina em direcção à Igreja de Santa Cruz, com uma pequena paragem na Praça 8 de Maio, subimos em direcção à Sé Velha, onde pedimos a colocação do primeiro selo. Continuámos pela Universidade até à Sé Nova, para a aposição de mais um selo.
Sé Velha, antiga Sé Catedral de Coimbra
A descida da Alta de Coimbra, entrando na Baixa pelo medievo Arco de Almedina, até Santa Cruz e São Bartolomeu para nova aposição dos selos, foi rápida, tal qual o desejo de respirar o rapidamente o “caminho”. Passeio e piquenique no Choupal foram o epílogo do prólogo pelas ruas da velha Aeminium.
Praça Velha em Coimbra
1.º dia, Segunda-Feira, 31 de Julho de 2012. Coimbra - Almargem. 
Sai de casa pelas 06:25, para o inicio da primeira etapa, a partir de Coimbra via Torres do Mondego, serpenteando rio acima, com uma primeira paragem na Barragem da Aguieira, reforço do pequeno almoço num café situado no centro de Santa Comba Dão, de onde seguimos para tomar a bonita ciclovia do Dão, até Viseu.
O Caminho pela antiga Linha do Dão, hoje ciclovia entre Santa Comba Dão e Viseu
Ás 13 h 30 min, almoço de piquenique, junto à antiga Estação de Tondela. Em Farminhão, reabastecimento e enquanto prossegui pela ciclovia, o Aguiar e o Joaquim começaram o Caminho, assinalado a partir desta localidade.
Passagem por Viseu, a Caminho da Sé Catedral para o Carimbo das Credenciais
O reencontro foi em Viseu, onde efectuámos uma pequena paragem para comprar fruta e beber um café. Os cerca de 100 km já percorridos começaram a fazer sentir-se nas minhas pernas, antevendo uns próximos dias bem penosos, a falta de exercício continuado começava a fazer-se sentir, nova separação, resolvi parar um pouco à saída de Viseu, para lanchar, enquanto o Aguiar e o Joaquim prosseguiram.
Capela de Almargem
No primeiro dia pernoitámos no albergue de Almargem, pertença da associação cultural e recreativa local, onde cheguei ainda dia, mas tendo perdido uma passagem por uma antiga calçada romana, ali bem próximo, ainda pensei voltar para trás para efectuar uma pequena passagem, mas depressa fui desaconselhado pelos meus amigos. Era importante recuperar bem para o dia seguinte.
Em Almargem, ao jantar
Como em Almargem não existia casa que servisse refeições, foi necessário retroceder cerca de 4 km para encontrar um restaurante. O importante era conseguirmos uma boa refeição,   precisamente o que aconteceu, saboreámos boa cozinha portuguesa, a malta estava ali para as curvas, com bons momentos de descontracção, prontos a enfrentar  o dia seguinte. Antes de dormirmos ainda gozámos algumas situações divertidas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Buracas do Casmilo, paisagen peculiar de incalculável valor patrimonial, o Vale das Buracas situa-se na freguesia do Furadouro, na povoação do Casmilo, na encruzilhada do monte da Senhora do Círculo e da Serra de Janeanes.  As buracas são um pequeno canhão fluviocársico, cujas vertentes se abrem em concavidades de desenvolvimento horizontal que lembram, vagamente, largas bocas prontas a tragar.







quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"A SAN ANDRÉS DE TEIXIDO VAI DE MORTO QUEN NON FOI DE VIVO"



Caminho Inglês 2009
























O santuário de Santo André de "Teixido", também conhecido como Santo André de "Lonche" ou Santo André do Cabo do Mundo, situa-se a cerca de 12 km de Cedeira, no meio da serra da "Capelada", em redor da costa de Ortegal.

Escondido entre penhascos e bosques, numa zona de escarpada orografia, o lugar está protegido de temporais, com características de promontórios celtas, que procuravam espaços mágicos que penetrassem no mar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Caminho Inglês

Caminho Inglês 2009

Um pouco da história


Ferrol - Início do Caminho
O Caminho Inglês foi uma rota de peregrinação jacobeia  muito utilizada na Idade Média, em alternativa à rota mais seguida pelos peregrinos, o Caminho Francês.

Aos portos de Ferrol e Corunha, assim como a Ribadeo e Viveiro, afluíam peregrinos de barco provenientes das ilhas britânicas, das penínsulas escandinavas, alemães e flamengos.

No século XII, mais precisamente no ano de 1147, a esquadra da Segunda Cruzada, com destino à Terra Santa, de má memória para os cristãos, efectuou, a pé, o caminho entre os portos Ferrol e da Corunha e Santiago de Compostela, com o fim de visitar o túmulo do apóstolo, antes de participar naquela que foi a única vitória cristã, precisamente a reconquista de Lisboa, em 1147, sob a solicitação de Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. 

Torre dos Andrades - Pontedeume
Do primeiro itinerário marítimo conhecido,  sabe-se que foi escrito entre 1154 e 1159, por um monge islandês, que relata a sua viagem desde a Islândia até Bergen na Noruega, passando pelo canal de Kiel, na fronteira entre a Dinamarca e Alemanha.  O monge seguiu a pé até Roma, a caminho da Terra Santa, outros, escandinavos e islandeses, fizeram a rota a pé, por Roncesvalles, enquanto outros aportaram ao norte da Península Ibérica, fazendo depois a rota a pé, pelo Caminho Inglês até Santiago.

Nos séculos XIV e XV a Guerra dos Cem Anos, entre ingleses e franceses, fez crescer os utilizadores deste itinerário, com muitos peregrinos a chegarem de barco aos locais atrás referidos, e provenientes de Londres, Bristol, Southampton e Plymouth, aproveitando também para efectuar trocas comerciais com mercadores galegos.

O Caminho Inglês conheceu passou a ser pouco menos utilizado a partir da ruptura assumida por Henrique VII (1509-1549) com a Igreja Católica.


O meu Caminho Inglês em 2009


Gare de Compostela
Em 04 de Setembro de 2009 iniciámos a viagem de automóvel de Coimbra até Santiago de Compostela.

O planeado era viajar de  comboio até à Corunha e daqui fazer a ligação a Ferrol em bicicleta, para percorrer o Caminho Inglês até Compostela em dois dias.

Assim, nesse mesmo dia 4 de Setembro fomos dormir no albergue de Neda, para iniciar no dia seguinte a nossa empresa. O albergue ficou por nossa conta, apenas um peregrino alemão nos fez companhia.

Ligação Corunha-Ferrol
Em 2008, quando em companhia do Joaquim Tavares e do José Botelho fizemos o Santiago-Finisterra - Muxia,  já tinha ficado no ar a intenção de fazermos um  Caminho em 2009,  mais tarde decidimos que seria o Caminho Inglês, a partir de Ferrol. Também o poderíamos ter percorrido a partir da Corunha ou mesmo Ribadeo, a dúvida subsistiu quase até ao fim.

Em Ferrol, para além se tomar o pequeno almoço, aproveitámos para visitar e fotografar a cidade natal do Caudilho, o General Franco, figura controversa e incontornável que marcou sem dúvida um longo período da história de Espanha e peninsular.


Ferrol - Praça do Caudilho

Para além de uma volta pelo centro histórico, aproveitámos para espreitar o arsenal da marinha espanhola. No Porto Antigo, iniciámos o Caminho, precisamente junto ao marco que o assinala. Prosseguimos paralelos à baia de Ferrol até chegar a Neda, onde dormíramos na véspera e onde nos cruzámos com a sinalização do caminho que leva ao santuário de Santo André de Teixido.

Ponte pedonal - Neda
Também conhecido como Santo André de Lonche ou Santo André do Cabo do Mundo e que se situa  a cerca de 12 km de Cedeira, no meio da serra da Capelada, em redor da costa de Ortegal,escondido entre penhascos e bosques, numa zona de escarpada orografia, o lugar está protegido de temporais, com características de promontórios celtas, que procuravam espaços mágicos que penetrassem no mar.

Assim, de Neda seguimos para Fene, passando perto dos estaleiros e a partir desta localidade subimos um monte até encontrarmos a estrada paralela ao Caminho que nos levou a Cabanas, 

Playa da Magdalena - Cabanas
Antes, porém, o Botelho e o Joaquim, enquanto bebiam a sua cervejinha resolveram  tirar todas as medidas da praia de Cabanas!!  No meu caso preferi adoptar uma atitude mais deinteressada, face à paisagem das montanhas!!!


Em Pontedeume  apreciei o seu excelente enquadramento paisagístico, onde a ponte, a baia e a Torre dos Andrades são, sem dúvida, os seus ex-libris.
Pontedeume
Depois de Bañobre, cruzámos a ponte medieval sobre o río Baxoi, coincidindo com o Caminho Real, andámos cerca 300m. por um caminho de terra até chegar a Miño , onde gozámos um banho na ria e nos deliciámos com a cozinha galega, num restaurante integrado na zona verde contígua à praia.

 Ponte medieval sobre o río Baxoi,
Particularmente saboreei uns magníficos Chipirones, enquanto o Quim e o Zé se entretiveram com um bem confeccionado prato de carne de cerdo  e batatinhas fritas.

Após o banho na praia e a farta refeição, quem iria vencer a subida de forte inclinação, apenas pela sombra de proveniente de frondosos bosques de carvalhos e castanheiros, para chegar a Betanzos?!

Praça central de Betanzos, antiga capital da Galiza

Mas, lá tivemos que prosseguir para  a bonita cidade Betanzos, antiga capital da Galiza, onde decidimos pernoitar. Trata-se de uma cidade tipicamente galega, banhada pela ria que lhe dá o nome e a graça.

O Caminho Inglês caracteriza-se sobretudo pelo verde dos bosques, com uma primeira parte a decorrer paralela à ria de Ferrol e depois de Betanzos. As duas subidas de relevo mais acentuado, embora difíceis, também não nada que não se possa fazer.

Peregrinos a cavalo no Caminho Inglês
É um Caminho tranquilo onde se convive muito bem com a natureza e a pacatez do quotidiano rural galego. A sombra dos bosques na maior parte do seu trajecto ajuda a torná-lo bastante agradável de percorrer.

Os Três Santiagos Matamouros 
A chegada a Santiago é sempre mítica, com o aproximar da Praça do Obradoiro sente-se mais presente o espírito do Caminho . Quase em sobreposição à alegria de mais uma etapa cumprida, é indisfarçável uma certa nostalgia, ficando a ideia, quase o compromisso, de repetir no ano seguinte.





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Primeira etapa no Caminho Francês, entre Saint-Jean-Pied-de-Port e Roncesvalles

Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles, 11 de Setembro de 2007.


No comboio para Sain-Jean-Pied-de-Port
Na gare de Bayonne apanhei a pequena composição que me transportou num enleante serpenteando ladeando as margens do rio  Nive alternando zonas habitacionais e uma paisagem marcada por algumas zonas de frondoso arvoredo, numa viagem tranquila e agradável até St-Jean-Pied-de-Port. 

Saindo da pequena estação, não foi difícil encontrar a direcção da velha cidadela fortificada, para onde pedalei, embora não tivesse efectuado uma visita pormenorizada à zona histórica da harmoniosa cidadezinha fronteiriça, receoso de perder tempo no caminho.

Ainda dentro das muralhas, o primeiro passo que um Peregrino a Santiago deve seguir é efectuar a validação da credencial na Oficina do Peregrino, paragem obrigatória para carimbar a credencial e obter a Vieira. 


domingo, 28 de outubro de 2012

O Caminho Francês de Santiago

O meu Caminho, como começou...

Catedral de Santiago de Compostela

Percorrer o Caminho Francês de Santiago era sonho antigo que ganhou forma definitiva por finais de Agosto de 2007, aquando duma visita a Santiago de Compostela.

O sentimento de júbilo  expresso nos rostos dos peregrinos que acabavam de chegar à Praça do Obradoiro, a pé ou de bicicleta, despertou a minha determinação e o meu entusiasmo crescia a cada vez mais, a cada instante. E foi assim que me fui acercando de alguns para lhes demonstrar a minha admiração e procurando saber das suas experiências.

O colorido da Praça do Obradoiro, com gente de todas as idades, a pé ou de bicicleta, uns deitados nas lajes aquecidas pelo sol, outros simplesmente cirandando, mas todos com o rosto perfeitamente elucidativo de um óptimo estado de alma.