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terça-feira, 14 de abril de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Caminho Português, 4.º dia, de "Arcade" a Santiago
Pelas Rias Baixas: Puente Sampayo, "Vrea Vella de A Canicouba", Pontevedra.
| "Puente Sampaio - Rio Verdugo" |
| "Puente Sampaio" |
No “Lar de Pepa”, albergue em que pernoitei depois da extenuante e magnífica jornada de Caminha até Arcade, relatada na Edição 42 da "Passear", mal saí do quarto, abeirei-me do terraço onde contemplei o casario que se estende até à ria de Vigo.
Depois de examinar as nuvens e tentar adivinhar se a chuva me acompanharia na jornada, recolhi ao quarto com o intuito de arrumar os alforges, inspeccionar a bicicleta e, por fim, partir para a derradeira jornada do Caminho Português de Santiago, pela Costa.
| "Puente Sampaio, Ponte Nova -Rio Verdugo" |
Em "Puente Sampaio" a passagem sobre o rio Verdugo é efectuada através da Ponte
Nova, ponte medieval de inegável beleza, construção de elevado valor arquitectónico. O seu enquadramento e o enorme espelho que as águas do rio proporcionam convidam à captação de raros instantâneos fotográficos.
Bem no meio da ponte, uma pausa para uns momentos de conversa com duas simpáticas peregrinas naturais da Galiza, que acederam em captar o momento da
minha passagem em Puente Sampaio. Depois de breves momentos de conversa sobre o "Caminho", urgia prosseguir em direcção a Pontevedra.
| Peregrinas a Santiago |
Com algum esforço lá fui subindo pelo antigo caminho empedrado, até à encruzilhada para “Nuestra Señora de Amil”, por um troço frequentado desde épocas mais remotas e onde são bem visíveis as marcas das rodas dos carros, sulcadas ao longo do tempos nas velhas lousas.
| “Vrea Vella da Canicouba” |
A aproximação a Santiago de Compostela é sempre motivo de alegria e satisfação, mas, por outro lado, se pensarmos que é sinónimos de final de “Caminho”, com o inerente regresso ao bulício do quotidiano, então o sentimento é antagónico, advindo daí alguma insatisfação. É o Caminho...
| Igreja Peregrina - Pontevedra |
| Ponte do Burgo - Pontevedra |
Domingo em Pontevedra, na cidade ainda adormecida, predominava a presença de peregrinos entre os poucos transeuntes e fascinas de estabelecimentos.
Pontevedra dá também o nome à província, capital das “Rias Baixas”. É indubitavelmente uma das cidade históricas da Galiza, detentora de um vasto e valoroso património arquitectónico merecedor da nossa atenção.
| Em Santa Maria de Alba |
Resolvi seguir pela rota tradicional, uma vez que a opção pelo Salnés implicaria mais um dia de caminho e ligeira derrapagem nos custos da viagem. Adiei, assim, para uma próxima oportunidade.
Após a passagem sob a linha do caminho de ferro, depois de uma ligeira subida alcancei a Igreja de “Santa Maria de Alba” com uma imagem do Apóstolo no cemitério. Muito próximo fica o antigo lugar de “Goxilde”, onde o Arcebispo “Xelmírez” descansou com as suas hostes, a caminho de Compostela, depois de efectuar o famoso “Pío Latrocínio” de relíquias em Braga.
Espírito do Caminho
|
Continuando a pedalar na manhã fresca e molhada, o verde sombrio da vegetação convidava ao recolhimento espiritual, mesmo a pedalar, ora pelos bosques de carvalhos, castanheiros e outras espécies, aqui e ali com pequenos cursos de água a completar um quadro paisagístico notável, ora por campos agrícolas tratados com afeição e harmoniosamente dispostos.
| Ponto de encontro de peregrinos |
O Caminho passa, entre outras, bem no centro das povoações das de Caldas dos Reis, Iria Flavia”, “Padrón”, “Esclavitude”, com a sua fonte milagrosa e o esplendoroso exemplar do barroco que é o “Santuário da Eslavitude”, séc. VII-XVIII.
| O encontro com peregrinos foi uma constante |
| Peregrinos a Santiago |
O convívio, a entre ajuda e a solidariedade, estão presentes em todos os que procuram vivências nas peregrinações a Santiago e assim é comum ouvir-se falar do Espírito do Caminho a todos quantos o percorrem ou percorreram.
Um dos momentos mais gratificantes nesta minha última jornada aconteceu numa paragem para reabastecimento alimentar, efectuada no albergue “Catro Canos”, propriedade de Manuel, que junto com a família mantêm este mítico espaço aberto e proporcionam um acolhimento de excelência aos peregrinos, quer no trato ou no repasto.
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| Em cima: Albergue "Catro Canos", Em baixo: Caldas dos Reis |
No “Catro Canos” estão assinalados 24 km na direcção de Ponte Pontevedra e 44 km a Santiago. Somando os cerca de 10 km de Arcade até Pontevedra, significa que já tinha pedalado cerca de 34 km.
Antes de alcançar “Pontecesures” encontrei dois portugueses de Viseu, a fazer pela primeira vez o Caminho de bicicleta, bons conversadores, acabámos por fazer parte do caminho juntos, mas perto do final pedi que fossem andando, uma vez que estava sempre a parar para captar imagens.
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| Em cima: Concelho de Valga. Em baixo: "Pontecesures", Fonte Santa - "Esclavitude" e Espigueiro |
Levar o circo de uma grande prova velocipédica para um espaço de características tão próprias, que nunca deve estar vedado a peregrinos! ... Enfim!…
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| Com a "Compostela" do Caminho da Costa 2014 |
Foi então que decidi partir de imediato em direcção à gare, onde, para além de adquirir bilhete, tratei de providenciar uma pequena refeição, para depois partir de comboio com intenção de pernoitar em Redondela.
Um regresso atribulado, ou uma história dos Caminhos...
De Vigo a A Guarda, por Baiona
| Vigo, zona portuária |
Às 20:00, iniciei o regresso no comboio da Renfe, nos primeiros minutos de viagem ainda mantive os olhos vigilantes, mas pouco tempo depois não resisti ao cansaço e adormeci ali mesmo na composição. A distracção saiu bem cara, pois pretendia dormir no Albergue de Redondela, para, no dia seguinte, viajar de comboio até Portugal. Ora de repente estou na estação de Vigo, apenas com vinte euros no bolso, a ter que encontrar dormida.
Necessariamente seria preciso algum dinheiro mais para dormir numa pensão, por mais barata que fosse.
| Navio de pesca Coimbra na doca de Vigo |
Amavelmente disse-me que dormiria em casa dele, só que a mesma dista de Vigo para aí uns 70 km. Mas, não podendo ajudar de outra forma, lembrou-se de me enviar o número de telefone de Luís Freixo, que dirige um Albergue na zona da Ramallosa e tem sido um dos grandes dinamizadores do Caminho da Costa.
O Luís devolvia-me a chamada, ante o meu relato, depressa me aconselhou a não seguir de noite de bicicleta. Demasiado arriscado.
Depois de efectuar alguns contactos ligou-me novamente com novidades. Tinha-me conseguido alojamento mais acessível monetariamente na pensão "Três Países", nas imediações do "El Corte Inglês".
Para além de me ter salvo, mais me disse que, caso necessitasse, na manhã seguinte poderia dirigir-me ao "Mezon Plaza", café que habitualmente frequenta, tendo sido o que aconteceu.
| "Ramallosa" |
Com apenas um euro e alguns cêntimos no bolso até chegar a Portugal, decidi empregá-los em fruta e assim abalei para Portugal, em direcção à zona portuária, seguindo depois pelo "Samil", "Ramallosa", Baiona, em suma fiz o percurso inverso do Caminho da Costa, até Caminha.
| Baiona |
| Pela ciclovia de Baiona a A Guarda |
E foi assim, a lutar contra o vento que, esgotado, cheguei ao albergue Aguncheiro. Entrei e falei que o amigo Luís Freixo me recomendado ali parar.
| Imagem do vento Sul |
| "Aguncheiro - em Mougas" |
Finalmente a 1,5 km de A Guarda, apareceu o João Paulo Reis Simões, que me foi resgatar a Caminha, respirei finalmente de alívio e satisfação.
Não me posso lamentar de falta de apoio dos amigos, neste caso o JPRS, já em 2007, quando finalizei o Caminho Francês, também me transportou de Santiago de Compostela até Coimbra. Agora foi a vez de me A Guarda salvar-me do vento Sul, que afrontava a pobre da Trek.
Espero bem que me acompanhe um dia com a sua bicicleta, quem sabe em 2015? Em 2014 já ensaiou os primeiros 100 km entre Aveiro e Porto.
| Santa Maria de Oia |
Por fim os meus agradecimentos a quem me apoiou na empresa solitária, à Sandra Marina, ao João Paulo Simões, José Botelho, Joaquim Tavares, António Pedro, à Carolina e à Mariana, pelas mensagens de incentivo.
Um agradecimento especial a dois amigos da Galiza, o José de La Riera e o Luís Freixo, que me ajudaram numa altura difícil. Obrigado a todos e Bom Caminho.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Caminho Português pela Costa, 3.º dia, 13 de Setembro de 2014, de Caminha a Arcade
| Igreja de Seixas |
Gosto de pensar que tudo correu a preceito e não impedi ninguém de dormir, com incómodo ressonar.
A
jovem israelita foi a primeira a madrugar, e cedo colocou pés ao
"Caminho". Também me despachei, mesmo sem o José Botelho e o Joaquim Tavares, companheiros habituais de anos anteriores, a
atazanarem-me os ouvidos, consegui sair cedo. Era imperioso recuperar quilómetros.
Não podia voltar a preguiçar como no primeiro dia, logo após a saída do Porto.
| Rio Minho |
Chegado
ao cais do rio Minho, onde pensei efectuar a travessia do rio para A Guarda, e
percorrer o Caminho da Costa por "Oia", "Baiona",
"Ramallosa", "O Freixo" e "Vigo", apanhando em
"Redondela" o Caminho Central,
mudei de ideias e optei seguir o Caminho até Valença.
| Cruzeiro - Monte de Góios |
O "ferry-boat" que habitualmente efectua a travessia do Minho não se encontrava operacional, a alternativa seria recorrer ao bote de um pescador local, caso tivesse decidido seguir por "A Guarda". No entanto como o transporte da bicicleta no comboio, a partir de Vigo, não se antevia fácil, decidi deixar em aberto a hipótese de fazer o Caminho pela Costa em sentido inverso, por Vigo, Ramallosa, Baiona Santa Maria de Oia e A Guarda, para o regresso a Portugal.
| Vista sob o Solar da Loureira |
À saída de Caminha, num parque de merendas, reencontrei as peregrinas da Catalunha, tirámos a tradicional foto em conjunto. O Caminho leva-nos agora em direcção a Seixas, atravessando a ponte sobre o rio Coura e ladeando a EN13, as marcações apontam para o interior da freguesia, pelo meio do casario, e alguns metros à frente podemos encontrar a igreja paroquial e o seu cruzeiro.
Pedalei na direcção da via-férrea, a qual atravessei por um pequeno túnel, o "Caminho" prossegue agora por um arruamento em calçada, junto à zona ribeirinha do rio Minho, num cenário verdadeiramente digno de assinalar.
Segue depois para Lanhelas, por entre ruas ora em calçada regular ora em troços de pedras mais largas e lageadas.
| Panorâmica sob o rio Minho |
Continuando pelos bonitos, mas difíceis arruamentos em calçada, o Caminho penetra no concelho de Vila Nova de Cerveira pelo sopé do Monte de Góios, e assim vou serpenteando entre o casario tradicional, respirando por uma atmosfera idílica, para quem gosta de coisas simples, com uma satisfação enorme de penetrar no coração de uma região com uma beleza natural deslumbrante predominantemente verde, plena de um magnífico património arquitectónico rural que caracteriza muito bem a sua singularidade.
| O "Caminho" no Paço do Outeiral |
Já na freguesia de Gondarém duas edificações setecentistas prenderam-me a atenção pela traça arquitectónica e privilegiada localização sobranceira ao rio Minho, primeiro o Solar da Loureira, e, poucos metros mais à frente, o Paço do Outeiral, onde o percurso contorna a propriedade por um interessante caminho em calçada, designado como Caminho de Santiago.
O Paço do Outeiral é uma edificação de estilo setecentista, agora transformada em estalagem e que outrora dispunha no seu interior de uma pequena hospedaria exclusivamente dedicada a acolher peregrinos a Santiago. A ampla quinta que o rodeia possui férteis terrenos agrícolas e vinhedos que auto sustentam a estalagem.
| Aqueduto no Paço do Outeiral |
O Caminho é ladeado por um paredão em granito que sustenta um aqueduto, ligado ao edifício por meio de um arco adossado, constituindo sem dúvida um recanto pitoresco.
Continuando
a pedalar pelas ruas em calçada, imprimi ritmo mais forte e rapidamente cheguei
a Cerveira, apesar da dureza do piso. Sábado
é dia de feira em Vila Nova de Cerveira, a vila é literalmente invadida por
vizinhos do lado de cá e de lá da fronteira. É impressionante o mar de gente
que acorre à povoação a fim de visitar a enorme feira, onde se vende de tudo.
A necessidade de proceder ao reabastecimento alimentar levou-me ao mercado local onde comprei fruta e a um supermercado onde completei as compras para as indispensáveis refeições.
A necessidade de proceder ao reabastecimento alimentar levou-me ao mercado local onde comprei fruta e a um supermercado onde completei as compras para as indispensáveis refeições.
| Cerveira e as capelinhas dos Passos da Paixão |
De
novo no "Caminho", pedalei até o corpo acusar algum desgaste, Decidi
então parar num fontanário pitoresco a fim de me alimentar e também
resguardar-me um pouco do sol, que estava forte.
| São Pedro da Torre, Ponte de Chamosinhos |
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| Ponte de Chamosinhos |
Foi a chegar à vila quase deserta de São Pedro da Torres, era Sábado e hora de almoço, que alcancei a jovem israelita do albergue de Caminha, que obriguei a para me tirar uma foto. Sem dúvida levava uma velocidade de andamento fora do comum.
Estava a terminar o Caminho da Costa e prestes a entrar em Valença e na sua fortaleza abaluartada, prestes a entrar na Galiza. Valença e Tui, face à proximidade, são praticamente a mesma cidade, numa ponte que se estabelece, não só através do ferro, do betão e do aço, mas sobretudo entre galegos e minhotos, entre espanhóis e portugueses.
O Caminho Central e a variante a "O Porriño"
| Praça Forte de Valença |
| Guarita de vigilância |
É incontornável não apreciar a fantástica panorâmica que se desfruta sobre o rio Minho e vizinhas terras da Galiza. Ainda na Fortaleza, carimbei a credencial na Pousada de São Teotónio e encetei a descida pelo lageado em direcção à ponte internacional rodo/ferroviária sobre o Minho.
| Início do Caminho Português em Tui |
Depois de atravessar o rio, já em "Tui" o Caminho leva-nos primeiro para próximo da zona ribeirinha, de onde saímos serpenteando pelas ruas estreitas e inclinadas até chegar finalmente à antiga Catedral.
O sentido no café e o desejo de relaxar um pouco, levaram-me a um local paradisíaco, sobranceiro ao rio, com uma panorâmica extraordinária sobre o rio, e a monumentalidade de Tui e Valença.
| Parque de lazer junto ao Minho - Tui |
Aproveitei para comer mais um pouco, beber o indispensável
"café con leche" e descansar um pouco.
| Ponte Internacional Valença-Tui |
É altura para falar um pouco do espírito do Caminho. Caminheiro, turista ou peregrino, sabe do que falo. Efectivamente quem faz o Caminho de Santiago sente uma sensação estranha e ao mesmo tempo boa, não se sabe explicar bem de que se trata, mas o certo é que é um sentimento comum aos caminhantes, viajem a pé, de bicicleta ou a cavalo.
| "Le Boulevard, em Tui" |
Vale a pena sentir, saber do que se trata, mas, só experimentando. E não se trata de nenhum "cliché" de qualquer invenção produzida para atrair adeptos. Assim convido os meus amigos a ir em direcção a Compostela por terras lusas e hispânicas ao encontro do espírito do Caminho, logo sabereis o que é. Com uma certeza porém, à medida que nos acercamos de terras galegas sente-se com mais intensidade.
| Ponte de Veiga |
Na
zona onde se situa a “Ponte de Veiga”, sobre o rio “Louro”, oportunidade para
conversar um pouco com duas jovens peregrinas portuguesas que pela primeira vez
faziam o Caminho. Evidenciaram bastante entusiasmo com a experiência que agora começavam..
| Memorial a D. Telmo |
| Ponte das Febres |
Este
ano optei por seguir entre “Orbenlle” e “O Porriño”, pela variante ao polígono
industrial. Um percurso maravilhoso relativamente à desagradável e algo
perigosa travessia do polígono, com muito tráfego automóvel e sem vegetação que
nos permita resguardar a uma sombra para um momento de descanso.
| Passagem da "Puente de Orbenlle" |
| Orbenlle. Variante a "O Porriño". Indicações vandalizadas. |
Sobretudo para quem esgotou o cantil da água e ansiava loucamente por líquidos. Para que a coca-cola não soubesse a pouco bebi primeiro dois valentes copos do líquido mais precioso que pode existir e permite a nossa existência.
| Variante a "O Porriño" |
Não havia tempo a desperdiçar, embora estivesse a pedalar em bom ritmo, torna-se difícil resistir a uns momentos de pausa para saborear o fresco de uma coca-cola com gelo e limão. “O Porriño” neste Sábado à tarde, estava plena de gente nas ruas, num ensurdecedor matraquear de palradores galegos. Depois de beber dois copos de água, veio a coca-cola tão ansiada, para repor o açúcar perdido.
Com alguma dificuldade de progressão, atendendo ao elevado número de passeantes, lá segui pelo Caminho, em direcção a “Mos”.
| "O Porriño" |
| "O Alpendre - Mos" |
| "Meseta de Chan de Pipas" |
Como não queria perder ritmo, encetei a subida decidido, passei mesmo por um grupo de ciclistas de Braga, que apesar de mais frescos e leves conheceram a vergonha de ser ultrapassados por um tipo de alforges, a rondar os 10 kg de peso. Ainda mostraram alguma reacção para não ser ultrapassados mas foram ficando para trás na forte subida até ao "Alto do Inxertado".
| "Redondela" - Albergue |
Após a planície de "Chan das Pipas", descemos até enveredar pela N550, para chegar a Redondela. Próximo do albergue, um enorme desfile motards fez-me aguardar algum tempo para poder prosseguir o Caminho, novamente a subir até ao cume "Eido dos Mouros". O dia aproximava-se a passos largos da noite.
| Na descida para Arcade, vieiras. |
Ainda pensei que poderia dormir em Pontevedra, mas corria o risco de não encontrar lugar no albergue, e, mesmo que encontrasse, o recolher obrigatório é às 22:00.
Iniciei a descida para Arcade, com uma magnífica panorâmica da Ria de Vigo e à esquerda a mítica ilha de "San Simon". Para além de ter fama de ser a capital das ostras, "Arcade" é uma localidade da Galiza que conjuga talvez como nenhuma outra os sabores campestres e marinheiros.
| Vista de "Arcade" |
O estalajadeiro era um simpático e prestável lisboeta que se encontrava a dar uma ajuda aos amigos, proprietários do "Lar de Pepa".
| Albergue "Lar de Pepa" |
Assim, após cumprir 87 km da jornada e como o dia ainda não tinha terminado, uma passeata por "Arcade" a fim de "pinchar" algumas tapas pareceu-me apropriado. No entanto a fadiga estava a vencer e impediu que me alongasse em passeios e assim, o regresso ao "Lar de Pepa" não tardou muito a acontecera, de modo a descansar para enfrentar, com calma, os cerca de 80 km que ainda faltava concluir para a derradeira jornada até Santiago de Compostela.
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