| CARCASSONNE |
domingo, 30 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Caminho Português de Santiago
O primeiro passo para a efectivação da ligação, entre Coimbra e Santiago de Compostela está dado, com a obtenção da credencial do peregrino, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Caminho Inglês
Caminho Inglês 2009
Um pouco da história
| Ferrol - Início do Caminho |
Aos portos de Ferrol e Corunha, assim como a Ribadeo e Viveiro, afluíam peregrinos de barco provenientes das ilhas britânicas, das penínsulas escandinavas, alemães e flamengos.
No século XII, mais precisamente no ano de 1147, a esquadra da Segunda Cruzada, com destino à Terra Santa, de má memória para os cristãos, efectuou, a pé, o caminho entre os portos Ferrol e da Corunha e Santiago de Compostela, com o fim de visitar o túmulo do apóstolo, antes de participar naquela que foi a única vitória cristã, precisamente a reconquista de Lisboa, em 1147, sob a solicitação de Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
| Torre dos Andrades - Pontedeume |
Nos séculos XIV e XV a Guerra dos Cem Anos, entre ingleses e franceses, fez crescer os utilizadores deste itinerário, com muitos peregrinos a chegarem de barco aos locais atrás referidos, e provenientes de Londres, Bristol, Southampton e Plymouth, aproveitando também para efectuar trocas comerciais com mercadores galegos.
O Caminho Inglês conheceu passou a ser pouco menos utilizado a partir da ruptura assumida por Henrique VII (1509-1549) com a Igreja Católica.
O meu Caminho Inglês em 2009
| Gare de Compostela |
O planeado era viajar de comboio até à Corunha e daqui fazer a ligação a Ferrol em bicicleta, para percorrer o Caminho Inglês até Compostela em dois dias.
Assim, nesse mesmo dia 4 de Setembro fomos dormir no albergue de Neda, para iniciar no dia seguinte a nossa empresa. O albergue ficou por nossa conta, apenas um peregrino alemão nos fez companhia.
Em 2008, quando em companhia do Joaquim Tavares e do José Botelho fizemos o Santiago-Finisterra - Muxia, já tinha ficado no ar a intenção de fazermos um Caminho em 2009, mais tarde decidimos que seria o Caminho Inglês, a partir de Ferrol. Também o poderíamos ter percorrido a partir da Corunha ou mesmo Ribadeo, a dúvida subsistiu quase até ao fim.
| Ligação Corunha-Ferrol |
Em Ferrol, para além se tomar o pequeno almoço, aproveitámos para visitar e fotografar a cidade natal do Caudilho, o General Franco, figura controversa e incontornável que marcou sem dúvida um longo período da história de Espanha e peninsular.
| Ferrol - Praça do Caudilho |
Para além de uma volta pelo centro histórico, aproveitámos para espreitar o arsenal da marinha espanhola. No Porto Antigo, iniciámos o Caminho, precisamente junto ao marco que o assinala. Prosseguimos paralelos à baia de Ferrol até chegar a Neda, onde dormíramos na véspera e onde nos cruzámos com a sinalização do caminho que leva ao santuário de Santo André de Teixido.
| Ponte pedonal - Neda |
Assim, de Neda seguimos para Fene, passando perto dos estaleiros e a partir desta localidade subimos um monte até encontrarmos a estrada paralela ao Caminho que nos levou a Cabanas,
| Playa da Magdalena - Cabanas |
Em Pontedeume apreciei o seu excelente enquadramento paisagístico, onde a ponte, a baia e a Torre dos Andrades são, sem dúvida, os seus ex-libris.
| Pontedeume |
| Ponte medieval sobre o río Baxoi, |
Após o banho na praia e a farta refeição, quem iria vencer a subida de forte inclinação, apenas pela sombra de proveniente de frondosos bosques de carvalhos e castanheiros, para chegar a Betanzos?!
| Praça central de Betanzos, antiga capital da Galiza |
Mas, lá tivemos que prosseguir para a bonita cidade Betanzos, antiga capital da Galiza, onde decidimos pernoitar. Trata-se de uma cidade tipicamente galega, banhada pela ria que lhe dá o nome e a graça.
O Caminho Inglês caracteriza-se sobretudo pelo verde dos bosques, com uma primeira parte a decorrer paralela à ria de Ferrol e depois de Betanzos. As duas subidas de relevo mais acentuado, embora difíceis, também não nada que não se possa fazer.
É um Caminho tranquilo onde se convive muito bem com a natureza e a pacatez do quotidiano rural galego. A sombra dos bosques na maior parte do seu trajecto ajuda a torná-lo bastante agradável de percorrer.
| Peregrinos a cavalo no Caminho Inglês |
| Os Três Santiagos Matamouros |
domingo, 23 de junho de 2013
Rio Mondego -Trilho Ribeirinho
A freguesia de Torres do Mondego, no concelho de Coimbra, oferece-nos um conjunto de opções para quem goste do turismo da natureza. Bafejada pela sorte que lhe trouxe o rio Mondego a seus pés, é coberta por farta mancha florestal, onde se se inclui a Mata Nacional de Vale de Canas, local aprazível com algumas espécies arbóreas centenárias, começa a agora a deixar para trás os prejuízos incalculáveis do incontrolável incêndio de 2005 que deixou Coimbra a arder. O coração da Mata estende-se por cima das encostas que descem sobre o rio, numa ligação interrompida pelos lugares de Vale de Canas, Casal da Misarela, Torres do Mondego e pela Estrada Verde, que flanqueia o Mondego, na sua margem direita, entre Coimbra e Penacova.
Existe ainda muito trabalho para efectuar, sobretudo na desmatação de caminhos, no aproveitamento de muitos lugares de interesse paisagístico que a natureza oferece.
Neste âmbito apraz registar e enaltecer o trabalho pensado e projectado pelo geógrafo João Paulo dos Reis Simões e corporizado pela Junta de Freguesia de Torres do Mondego, de que resultou o Trilho Ribeirinho, exemplarmente descrito na imagem que abaixo se mostra.
Fotos - Torres do Mondego-Trilho Ribeirinho, Praia Fluvial e Vale de Canas
Neste âmbito apraz registar e enaltecer o trabalho pensado e projectado pelo geógrafo João Paulo dos Reis Simões e corporizado pela Junta de Freguesia de Torres do Mondego, de que resultou o Trilho Ribeirinho, exemplarmente descrito na imagem que abaixo se mostra.
Fotos - Torres do Mondego-Trilho Ribeirinho, Praia Fluvial e Vale de Canas
Nota: Para melhor visualizar o percurso pedestre, aconselha-se a guardar a imagem, e fazer zoom
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Guia do Caminho Português de Santiago de Compostela
Ao Paulo e Maria do Céu, anexo link da via de peregrinação a Santiago de Compostela mais percorrida no território português. Espero que em Julho metam as bicicletas a caminho. Podeis também consultar neste blogue uma lista de páginas sobre a temática dos Caminhos de Santiago, nomeadamente albergues, conselhos, fotografias, zonas de interesse cultural, etc. Bom Caminho.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Caminho Português de Santiago - VII
Segunda Feira, 6 de Agosto. Oseira - Santiago de Compostela.
Último dia de Caminho, acordámos cedo, pelas 06:00, o objectivo da jornada, para além de chegar a Compostela, seria o de conseguir alojamento em Redondela, onde no dia seguinte apanharíamos o comboio até ao Porto e daqui a Coimbra.
Àquela hora madrugadora, foi preciso andar perto de 10 km para encontrar a primeira localidade, Dozón, para a primeira refeição do dia. É fundamental para quem viaja deste modo as refeições bem repartidas, bem como a hidratação. Assim, depois de alguns quilómetros a pedalar em jejum, o pequeno almoço soube a pouco, embora tivesse chegado em boa hora.
Em Lalin, enquanto o Aguiar e o Joaquim continuaram pelo caminho, tive necessidade de procurar una tienda, a fim de substituir o pneu da roda traseira e mais umas pequenas afinações na bicicleta. Enquanto aguardava, decidi fazer uma incursão a pé pela cidade. Como ainda faltava muito para pedalar até Santiago, achei por bem reforçar o pequeno almoço.
| Alvorecer em Oseira |
A pequena cidade de Lalín , à semelhança da Mealhada, em Portugal, confere ao porco as honras de estátua, em praça pública. A frequente utilização de carne suína na culinária, com especial destaque para o cocido, é um hábito nestas paragens.
Parte do itinerário até Compostela, processa-se paralelo à estrada N525. No entanto o Caminho faz-se em grande parte por frondosos bosques, agradáveis de percorrer. Nesta altura do ano o afluxo de peregrinos é maior, e, à medida que nos aproximamos do final maior número de pessoas se encontram.
Neste último dia cada um fez o seu Caminho, como me encontrava praticamente no limite das minhas capacidades era importante gerir muito bem o esforço, para chegar a bom porto. Depois de Lalín, sem que percebesse, acabei por passar pelos meus amigos, enquanto procediam a uma pausa.
Pouco depois de Silleda, porque já era hora, parei num pequeno restaurante familiar. Fui atendido por uma simpática senhora, que acumulava as funções de cozinheira e empregada de mesa, apenas com a ajuda de um jovem rapaz e lá ia tomando conta de tudo. O meu desejo era comer uma sopa de legumes e uns tapas. Como não tinha sopa de legumes, foi-me sugerida uma favada, algo semelhante à nossa sopa da pedra, embora um pouco mais leve. Aceitei o conselho, mas pedi primeiro que me fosse servida uma pequena porção de tortilha. Para acompanhar o café, foi-me oferecida uma saborosa fatia de pão de ló, que aceitei e muito agradeci.
A pausa para refeição foi aproveitada para relaxar e alguns dedos de conversa com os irmãos galegos. Apenas faltariam cerca de 30 km para Compostela, contudo as dores musculares já me iam apoquentando.
Era altura para pôr novamente a bicicleta no Caminho Santiago. Em Puente Ulla, no exterior da igreja de Santa Maria Magdalena, um numeroso grupo de peregrinos aproveitava a sombra para descansar.
Após Puente Ulla, foi preciso vencer mais algumas subidas. Perante a proximidade da chegada, parecia que as forças tinham voltado, e as dores muscular pareciam ter desaparecido.
No albergue de Vedra procurei o reabastecimento de água, que não chegava a pouco mais que umas gotas. Procurei passar despercebido no albergue, mas logo fui abordado por uma jovem castelhana perguntando se procurava ficar no albergue, informando que o mesmo já estava lotado, mostrou curiosidade para saber de onde vinha, perguntas recorrentes entre quem viaja, após mais alguns dedos de prosa desejámos mutuamente um bom caminho.
Por fim a vista sobre as torres da catedral, uma rua em calçada, a descer, levou-me à entrada de Compostela. A enorme sede que levava, foi saciada com a fruta comprada mal entrei na urbe. Exagerei ao encher ainda mais os alforges com ameixas, pêssegos, uvas e bananas.
Depois de me misturar com a multidão, entrei na Plaza de Obradoiro descendo perigosamente, de bicicleta, as escadas adossadas à catedral.
Antes das tradicionais fotos na praça, corri à Oficina do Peregrino, a fim de solicitar a aposição do selo na credencial e obter a Compostellana.
A dois dias de completar 50 anos de idade, cumpri a última etapa, desde Santa Maria de Oseira, 101,71km e 594 km desde a cidade de Coimbra. O esforço valeu a pena, a experiência vivida foi inteiramente gratificante.
Uma menção especial aos amigos José Aguiar e Joaquim Tavares, o meu agradecimento pela paciência, sobretudo nas ocasiões em que tiveram de esperar por mim. Foi a primeira vez que fiz o Caminho em deploráveis condições físicas, sobretudo tendo em conta que o Caminho Português, por terras do interior, apresenta um grau de dificuldade superior relativamente a vias de peregrinação mais litorais, os designados Caminho Central e pela Costa.
Após a obtenção da Compostellana, seguimos para a estação ferroviária, onde apanhámos o comboio para Redondela, aqui chegados, de imediato procurámos lugar no albergue de peregrinos, que se encontrava lotado. A solução foi dormir num pavilhão gimnodesportivo local, onde já se encontravam um considerável número de portugueses, a caminho de Compstela.
A partir das 22:00 horas não era permitida a entrada no pavilhão, assim tivemos que nos despachar para a refeição da noite, na esplanada de uma pastelaria que encontrámos e onde pudemos escolher rodízio de tarte galega, de excelente degustação, regressando logo de seguida ao pavilhão para tentar dormir.Na manhã seguinte rumámos de comboio até ao Porto e daqui a Coimbra.
| Igrexa de Santiago de Taboada |
Neste último dia cada um fez o seu Caminho, como me encontrava praticamente no limite das minhas capacidades era importante gerir muito bem o esforço, para chegar a bom porto. Depois de Lalín, sem que percebesse, acabei por passar pelos meus amigos, enquanto procediam a uma pausa.
| Igreja de São Martinho Dornelas, Silleda |
| Grupo de peregrinos em Taboada - Foto Joaquim Tavares |
| Ponte sobre o rio Ulla |
| Igrexa de Santa Maria Magdalena, Puente Ulla |
| Muito próximo de Compostela, o verde que domina a paisagem galega |
| Peregrino a Santiago |
| Ao fundo, quase imperceptíveis, as torres da Catedral de Compostela. |
| Joaquim e Aguiar à saída da Oficina do Peregrino |
| À chegada, na Praça do Obradoiro - Foto Joaquim Tavares |
| José Aguiar, António Carvalho e Joaquim Tavares |
| A magnificente Catedral de Santiago de Compostela |
A partir das 22:00 horas não era permitida a entrada no pavilhão, assim tivemos que nos despachar para a refeição da noite, na esplanada de uma pastelaria que encontrámos e onde pudemos escolher rodízio de tarte galega, de excelente degustação, regressando logo de seguida ao pavilhão para tentar dormir.Na manhã seguinte rumámos de comboio até ao Porto e daqui a Coimbra.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Caminho Português de Santiago - VI
Domingo, 5 de Agosto. Xunqueira de Ambia - Oseira.
Até Ourense o percurso foi favorável. Entrámos na velha cidade termal, situada nas margens do Minho, pelas 08:30, com o Quim a ter que resolver um problema na roda.
O Caminho aproximava-se do seu termo, o cansaço acumulado reflectia-se no meu rendimento, assim, sempre que se vislumbrava uma pausa, eu aproveitava-a da melhor forma.
Em Ourense tinha passado de visita há um ano atrás, assim não dediquei muito espaço a fotos.
Enquanto o Quim tentava resolver o problema bicicleta, o Aguiar tirava fotos, aproveitei para reajustar o pequeno almoço, antevia-se uma generosa subida depois de Ourense.
Assim, enquanto os meus amigos andavam ocupados, após a pausa ilustrada na imagem, fui andando em direcção à ponte medieval sobre o Minho, aqui tirei algumas fotos e aproveitei o espreitar do sol para estender a roupa na ponte.
Prossegui uma vez que o relógio já apontava para as 10:30. Na saída de Ourense, a má sinalização do Caminho fez-me andar às voltas, perdendo tempo e energia.
O Caminho prosseguia por uma enorme rampa asfaltada, inserida num denso bosque, o grau de inclinação, não me permitia pedalar, o peso dos alforges, da bicicleta, e, a bem dizer, a má forma foram em conjunto determinantes para que tivesse de empurrar a bicicleta serra acima.
Quando finalmente deixei de ter que empurrar a bicicleta e alforges, indaguei, junto de um casal que cozia polvo para venda, tipo como quem vende na feira, um local para saciar a sede e encher o depósito de combustível! Tinha pedalado cerca de 100 metros quando encontrei o local indicado.
Antes de me sentar, e à pergunta: o que queres comer, respondi, sem hesitação, polvo à galega e pão, para beber cerveja sem álcool fresquinha, tal era a sede que foram quatro.
Mal tinha começado a almoçar, vislumbrei o Joaquim que entretanto passava, foi preciso chamá-lo, depois de instalado, olhou para o meu prato e logo se decidiu pelo polvo, estava uma maravilha. Conhecedor daquele pitéu desde 2007, aquando do meu primeiro Caminho, deste polvo que nos foi servido nunca mais me esquecerei!. Então o Joaquim que nunca tinha experimentado a iguaria, ficou fã.
Prosseguimos para Cea, antes de aqui chegar reagrupámos novamente. Não comprámos o famoso pão, mas vontade não faltou.
De Cea, optámos por seguir para Mosteiro de Santa Maria de Oseira, e em boa hora o fizemos, é sublime a beleza e dimensão deste desta construção cisterciense.
O final desta penúltima jornada do Caminho foi um dos momentos altos deste Caminho Português, o ambiente de espiritualidade presente em Oseira contagiou-nos. Não é exagero referir que nos sentimos como que três miúdos num passeio à Eurodisney ou coisa semelhante.
Pernoitámos numa das alas do mosteiro, destinada a hospedaria de peregrinos, nessa mesma qualidade fomos convidados a assistir a uma celebração do monges em clausura, que se mantêm ainda em actividade neste magnífico monumento cisterciense, com nalguns aspectos comparável a Alcobaça.
Sentimos de forma mais acesa o ambiente e o espírito do Caminho, à visita guiada seguiu-se a celebração religiosa e o merecido repasto para repor as energias, gastas durante a excelente jornada por terras galegas.
Após o jantar, um passeio para alongar as pernas e apreciar a grandeza do mosteiro que visto de noite parece ainda maior, recolhendo de seguida ao albergue para a última noite, no dia seguinte ... Santiago.
Para além de nós, em Oseira, o número a pernoitar no albergue não ultrapassava a meia dúzia.
Neste dia fizemos 64,76 km, com 492, 29 km percorridos desde Coimbra. Para chegar a Santiago ainda faltava cumprir cerca de 90 km.
Apetecia ficar mais umas horas na cama, mas a vida de peregrino é andar ou pedalar, assim antes de alvorecer já se preparavam alforges, em Xunqueira nem uma cafeteria aberta. Foi preciso pedalar quase cinco quilómetros para tomar o pequeno almoço.
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| O Joaquim de volta dos alforges |
Até Ourense o percurso foi favorável. Entrámos na velha cidade termal, situada nas margens do Minho, pelas 08:30, com o Quim a ter que resolver um problema na roda.
O Caminho aproximava-se do seu termo, o cansaço acumulado reflectia-se no meu rendimento, assim, sempre que se vislumbrava uma pausa, eu aproveitava-a da melhor forma.
Em Ourense tinha passado de visita há um ano atrás, assim não dediquei muito espaço a fotos.
| Tratando de fazer amigas |
Enquanto o Quim tentava resolver o problema bicicleta, o Aguiar tirava fotos, aproveitei para reajustar o pequeno almoço, antevia-se uma generosa subida depois de Ourense.
| Podeis crer que estava bom tanto o café, como o queque de canela |
Assim, enquanto os meus amigos andavam ocupados, após a pausa ilustrada na imagem, fui andando em direcção à ponte medieval sobre o Minho, aqui tirei algumas fotos e aproveitei o espreitar do sol para estender a roupa na ponte.
| Ourense, Ponte Medieval sobre o Rio Minho |
| Pormenor curioso do comboio à saída de Ourense |
| Uma tasquinha pitoresca |
Quando finalmente deixei de ter que empurrar a bicicleta e alforges, indaguei, junto de um casal que cozia polvo para venda, tipo como quem vende na feira, um local para saciar a sede e encher o depósito de combustível! Tinha pedalado cerca de 100 metros quando encontrei o local indicado.
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| Polvo à galega |
Mal tinha começado a almoçar, vislumbrei o Joaquim que entretanto passava, foi preciso chamá-lo, depois de instalado, olhou para o meu prato e logo se decidiu pelo polvo, estava uma maravilha. Conhecedor daquele pitéu desde 2007, aquando do meu primeiro Caminho, deste polvo que nos foi servido nunca mais me esquecerei!. Então o Joaquim que nunca tinha experimentado a iguaria, ficou fã.
Prosseguimos para Cea, antes de aqui chegar reagrupámos novamente. Não comprámos o famoso pão, mas vontade não faltou.
| Em Cea o pão é mais famoso que os monumentos |
O final desta penúltima jornada do Caminho foi um dos momentos altos deste Caminho Português, o ambiente de espiritualidade presente em Oseira contagiou-nos. Não é exagero referir que nos sentimos como que três miúdos num passeio à Eurodisney ou coisa semelhante.
| Página oficial do:Mosteiro de Santa Maria de Oseira |
| Momento de repouso e descontracção |
| Oseira, nas imediações do Mosteiro |
Para além de nós, em Oseira, o número a pernoitar no albergue não ultrapassava a meia dúzia.
| Hospedaria, numa ala do mosteiro |
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Caminho Português de Santiago - V
Sábado, 4 de Agosto. Verin - Xunqueira de Ambia.
Na Galiza, é frequente encontrar os cemitérios à volta das igrejas. Trata-se sem dúvida de uma questão cultural, religiosa, mas não é por este facto que a igreja de Arcucelos, na imagem, perde a sua grandeza.
Continuámos a pedalar, para fazer uma pequena paragem em Retorta, num espaço de lazer junto ao Tâmega, onde reencontámos um casal de peregrinos de Madrid, que conhecêramos na véspera, daqui a Matamá o Caminho corre paralelo ao rio.
Caracterizado pela beleza dos bosques e pela deslumbrante paisagem que se estende pelo vale, aproveitamos uma aliciante descida, serpenteando o bosque até à planície.
Por entre campos agrícolas chegaríamos a Xunqueira, num dia cinzento, e alguns aguaceiros. Em Xunqueira o albergue já se encontrava lotado, fomos obrigados a procurar uma alternativa e recorrer a uma residencial, um pouco mais cara, 15€ para cada um, três vezes mais que as habituais contribuições de 5€, mas com outras comodidades, que nesta altura do Caminho já merecíamos.
O ambiente estava bom, fomos falando com alguns amigos galegos, são ocasiões para troca de impressões agradáveis, muitas vezes laços de amizade se estabelecem, embora efémeros, é uma das facetas de que se reveste o espírito do Caminho, para além de outras que nos fazem sempre desejar, para o ano há mais.
Logo após as 07:30, o
Quim e o Aguiar subiram ao Castelo de Monterrei, como me atrasei, já não subi e dirigi-me para a cafeteria, junto a uma gasolineira à saída de Verin, em direcção a Xinxo de Lima, onde tomaríamos o pequeno
almoço .
Depois de conferenciarmos a nossa opção foi seguir em diracção oposta, por Laza, percurso mais interessante pela beleza natural que se desfruta ao ao longo do Tâmega e da vertente montanhosa neste troço do Caminho. Nos primeiros quilómetros subimos Monterrei, sem contudo passar pelo castelo e seguimos em direcção a Mixós e à sua sua igreja. Nela se destaca o portal sul, já que o portal ocidental está praticamente encoberto por uma enorme parede.
Prosseguindo por Vences e Arcucelos, nesta localidade clama a atenção o casario rústico, com o pormenor do milho a secar nas varandas. Continuámos a serpentear pelas margens do Tâmega.
| Ao cimo o Castelo de Monterrei - Verin |
| Igreja de Mixós |
| Arcucelos, casario |
| Arcucelos, igreja |
Após Laza uma forte subida leva-nos à localidade de Albergueria, almoçámos no Rincon del Peregrino, espaço de paragem obrigatória, decorado interiormente com vieiras assinaladas com os nomes dos peregrinos que aqui quiseram deixar a sua passagem assinalada.
| O almoço no Rincon del Peregrino |
Carinhosamente mantido por um simpático casal conversador e de excelente acolhimento, a ambiência propicia um sentimento especial do espírito do caminho.
O nosso anfitrião, para lá da afabilidade, surpreendeu-nos agradavelmente com o elevado conhecimento da cultura portuguesa.
O almoço seguiu a linha dos anteriores piqueniques, refeição leve e nutritiva, com a indispensável presença da fruta.
| O Camino |
Caracterizado pela beleza dos bosques e pela deslumbrante paisagem que se estende pelo vale, aproveitamos uma aliciante descida, serpenteando o bosque até à planície.
Por entre campos agrícolas chegaríamos a Xunqueira, num dia cinzento, e alguns aguaceiros. Em Xunqueira o albergue já se encontrava lotado, fomos obrigados a procurar uma alternativa e recorrer a uma residencial, um pouco mais cara, 15€ para cada um, três vezes mais que as habituais contribuições de 5€, mas com outras comodidades, que nesta altura do Caminho já merecíamos.
| Milheiro na Galiza |
O jantar é sempre aproveitado para estabelecer alguns momentos de convívio, a simpática proprietária da tasquinha, atendeu-nos com uma simpatia formidável, preparando, a pedido e para entrada uma massa de atum.
| Jantar em Xunqueira |
Encontrar o albergue já lotado obrigou-nos a desfrutar de condições mais cómodas, aproveitadas para uma excelente noite de sono.
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