quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Crónica do 3.º dia do Caminho Português, entre São Pedro de Rates e Rubiães

Igreja Românica de São Pedro de Rates

Primeiro dia de Agosto e terceiro do nosso Caminho, fomos dos últimos peregrinos a acordar e a sair do albergue de Rates.

O plano traçado para a jornada impunha que fossemos dormir a Rubiães, o que equivale a dizer que forçosamente teríamos que passar a mítica e difícil Serra da Labruja. 

Os primeiros raios de sol começaram timidamente a querer surgir de um céu acinzentado. Após a preparação das bicicletas, dirigimo-nos ao único café aberto nas cercanias, muito próximo da velha e magnífica igreja românica.

Pequeno almoço em Rates
Pelas 08:30, após o o pequeno almoço, recreámo-nos a tirar fotografias à igreja românica de São Pedro de Rates, uma das jóias da arquitectura religiosa medieval portuguesa.

Os primeiros quilómetros foram de reencontro com os peregrinos que na véspera conhecêramos no albergue de Rates e muitos outros que pelo Caminho fomos encontrando.

Uma pequena história ressalta ainda do dia anterior, trata-se da jovem hospedeira que simpaticamente nos acolheu no albergue. Assim, contou-nos que ao fim de algum tempo a acolher e assistir peregrinos, ela mesmo iria iniciar o seu Caminho, a partir de Rates. A ansiedade quase não a deixou dormir e foi das primeiras a partir. Após alguns anos de trabalho voluntário, finalmente resolveu fazer o seu próprio Caminho, partilhar as suas vivências.

O lendário Galo de Barcelos
A aproximação de Barcelinhos e logo a seguir Barcelos, originou nova paragem. O Joaquim Tavares e o José Botelho demoraram um pouco com a fotografia. Depois de passar a ponte a pose ao lado do famoso Galo de Barcelos e a oportunidade para comer uma saborosa bola de Berlim e beber um café com leite.

O Minho em Agosto fervilha de gente, as ruas de Barcelos estavam plenas de turistas, emigrantes e peregrinos.

Dos inúmeros motivos de interesse da cidade de Barcelos, destaco o templo do Bom Jesus da Cruz, que assinala o aparecimento miraculoso de uma cruz de terra negra no chão barrento da feira, em 20 de Dezembro de 1504, templo que abriu ao culto em 1710. Trata-se de uma edificação de cúpula e planta centrada, com o espaço interior disposto grega, da autoria do Arquitecto João Antunes.
Barcelos e ao fundo a igreja do Bom Jesus da Cruz

Um pouco absorto com o templo do Bom Jesus da Cruz, que não canso de admirar, novo desencontro aconteceu, desta vez fiquei para trás. Pensando estar na frente fui rolando devagar, sem pressa, esperando o reagrupamento.

Peregrinos a Santiago

Como a demora era muita obtive a informação de um peregrino que regressava de Santiago, a caminho de Fátima, que me informou da diferença de uns bons 15 a 20 minutos para os meus amigos.

Foi hora para dar corda aos sapatos e imprimir um ritmo mais forte, o tipo de percurso também ajudava. Finalmente o reencontro, no rio Neiva, junto à Ponte das Tábuas, momento aproveitado para uns mergulhos na água límpida e cristalina do rio.

Aqui não poupámos tempo, bem pelo contrário, apetecia ficar para o resto do dia, não fosse o objectivo programado. Sem dúvida um bom momento.

Regabofe na Ponte das Tábuas

Serpenteando por terrenos de cultivo do milho ao passar o cruzamento da N201 com a N308, resolvi fazer um pequeno desvio, parei num café para comprar uma bebida e reabastecer de água, tentei comprar fruta, mas sem sucesso uma vez que o minimercado estava encerrado, salvou-me a jovem do café, dispensando-me algumas laranjas e um BTTista de Silves a fazer o Caminho em companhia de um grupo de espanhóis, oriundos de Murcia, que me ofereceu um plátano. 

Piquenique no pinhal
Com a dupla Joaquim/Aguiar uns 10 a 15 minutos à frente, entrei numa zona de bosque. A subida de algum relevo, era amenizada pela sombra. Mais à frente reagrupámos novamente para uma pequena refeição, em jeito de piquenique.
Chegada a Ponte de Lima

A aproximação a Ponte de Lima era desejada, aqui efectuámos uma paragem para refeição na Tasca das Fodinhas, onde o Cardápio da Márcia era bem sugestivo, como podeis ver na foto.
Ponte de Lima e o Cardápio da Márcia

Não podíamos relaxar muito, como diz o velho ditado, o rabo é o pior de esfolar, e ainda tinha-mos que esfolar a subida da Serra da Labruja!

O esforço da subida


Subida da Labruja

Descer a Labruja também não é fácil, há sobretudo que ser cuidadoso, para não hipotecar o resto do Caminho.

Chegámos a Rubiães às 20:30, debaixo de um céu cinzento e ligeiros chuviscos, tendo pedalado nesta jornada 77,70 km.

Com o albergue lotado, restou-nos dormir na sala de refeições. Do pouco tempo que dispúnhamos ainda ouve lugar para entabular alguma conversa com o Vítor Matos de Coimbra e com a Olívia de Viana do Castelo e com alguns peregrinos espanhóis.

No entanto o duro final de jornada não podia terminar sem um merecido jantarinho no restaurante mais próximo do albergue, na companhia simpático pessoal de cozinha, do dono e do empregado de mesa.

Fotos do 3.º dia

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Histórias do Caminho

O Caminho faz-se de pequenos acontecimentos, pequenas histórias, curiosidades que apraz registar. Esta é uma das histórias que o Samuel nos conta no seu sítio, através do relato do 2.º dia do seu Caminho, em 2002.
Vale a pena ler.


domingo, 8 de setembro de 2013

A alternativa ao polígono industrial de Porriño no Caminho Português de Santiago, artigo de José Antonio de la Riera.




SEMPRE NO CAMINHO

Os primeiros trabalhos de investigação e identificação do antigo Caminho Português a Santiago na Galíza, que realizámos durante os anos 1992-93, não nos permitiram salvar o itinerário entre Orbenlle e O Porriño; o indubitável traçado histórico fora ocupado pelo maior polígono industrial da Galíza e a estrada N-550, não tendo na altura infraestrutura nenhuma que facilitasse salvar esta verdadeira "penitencia". O decorrer do tempo e a construção de infraestruturas como o caminho habilitado junto ao rio Louro permite-nos agora apresentar-vos este novo itinerário que vem fazer justiça ao Caminho Português na sua primeira etapa na Galíza.

Desde logo, em todos os nossos trabalhos, ajustámos, sempre que possível, os itinerários históricos, contudo, o que fazer quando "a historia" passa por um polígono industrial, uma concentração de armazéns, uma autoestrada ou um pântano? O purismo histórico absoluto só pode ser reivindicado pelos que desconhecem absolutamente o território e/ou jamais dobraram as costas no trabalho de campo, no entanto é muito claro que já desde os tempos de Valiña cada época teve o seu Caminho, e que no século XXI os peregrinos têm direito, como os seus antepassados, a ter os seus próprios Caminhos de Peregrinação

Apresentámos-vos um itinerário humilde, profundamente galego, que percorre num espaço natural único incorporando, nalguns pontos, o antigo Caminho Real entre Tui e Vigo. Num espaço rodeado por naves industriais e infraestruturas de toda índole, autoestrada, via rápida, caminho de ferro, mais de quarenta por cento deste decorre por velhos caminhos de terra rodeados por uma natureza esplêndida e o seu traçado acrescenta apenas uns quinhentos metros mais que o itinerário pelo atual Polígono Industrial das Gándaras e a estrada N-550. Colocámos neste trabalho, realizado de forma completamente altruísta, por e para os que caminham, esforço, paixão, alma e sentimento; agora já não nos pertence, é vosso, dos peregrinos.

Queremos agradecer expressamente a colaboração dos vizinhos e dos técnicos de Património e o Xacobeo da Junta de Galíza, que em todo momento apoiaram e entenderam este projeto; a Luis Freixo, por incorporar no mesmo uma alternativa preparada exclusivamente para impossibilitados; e, expressar também a nossa lembrança especial a quem desde a sua humilde atalaia do Cebreiro soube mostrar-nos o Caminho: Elías Valiña. Dedicamos este trabalho em agradecimento a todo o que nos ensinou e semeou para o futuro; obrigado, Elías. 

Bom caminho a todos. Ultreia e sus eia!

Coordenação : José Antonio de la Riera 
Investigação, documentação e trabalho de campo: José Antonio de la Riera, Manuel Garrido y Luis Freixo.
Fotografias: Manuel G. Vicente

Tradução do artigo António José Matos


Clicar para ver o Guia  - Mapa

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Crónica do 2.º dia do Caminho Português, São João da Madeira - São Pedro de Rates, 90 km

Sapateiro - São João da Madeira

Após o pequeno almoço no bar do quartel, começámos a pedalar pelo fresco da manhã, Eram 7:55, quando partimos e logo com uma subida de 3 km em direcção ao centro de São João da Madeira. 

Continuámos a subir até ao alto da Arrifana e estava feito o aquecimento para enfrentar a segunda maior jornada do Caminho.



Igreja Matriz da Arrifana


Curiosamente, Arrifana e Coimbra têm a particularidade de ter a mesma padroeira, Isabel de Portugal, a Rainha Santa. A Rainha Santa Isabel, que viveu grande em Coimbra grande parte da sua vida, foi muito devota a Santiago. Desde  Coimbra peregrinou  até Compostela por duas vezes, confirmadas. Havendo quem defenda que o teria feito, de forma anónima, por mais duas ocasiões.

Pouco depois da Arrifana, passava das 09:45, cruzámos-nos com mais um peregrino, contudo somente a partir do Porto e principalmente de São Pedro de Rates é que se tornou mais constante o encontro com os demais peregrinos.


Peregrino a Santiago
Na Malaposta o Caminho derivou para a antiga calçada romana, depois Estrada Real, prosseguindo pelo lugar de Souto Redondo até Lourosa.

Infelizmente esta via histórica não se encontra devidamente preservada, é deprimente o estado em que se encontra a calçada, envolta por vegetação selvagem e depósito de lixos indesejáveis.

Prosseguindo, em Grijó ladeámos o Mosteiro e um frondoso bosque de carvalhos cercado por extensos muros antigos, feitos de pedra.

A necessidade de reabastecimento obrigou a nova paragem num café à entrada da vila, onde também estava um casal de peregrinos com duas crianças de tenra idade, que transportavam em carrinhos de bebé.

Ficou com algum desgosto que não visitámos o Mosteiro de Grijó, ficando a referida visita agendada para outra ocasião.

Depois de Perosinho subimos a difícil calçada da Serra de Negrelos, contudo a passagem pelo bosque foi reconfortante, o fresco da vegetação transformava mais leve o pedalar, parecendo aumentar a sua cadência.

De Grijó a Gaia, pela Serra de Negrelos
A chegada a Vila Nova de Gaia não foi demorada, contudo o acelerar do ritmo necessitava de uma recompensa alimentar. Assim nada melhor que uma pequena sondagem para obter indicação de onde comer bem, pelo mais baixo preço.

O local escolhido foi o Piri-Piri, onde o cheirinho a frango assado dissipou qualquer dúvida quanto à ementa a escolher.

Na Ribeira, dando orientações a duas jovens alemãs
Após o repasto, seguimos para a zona ribeirinha de Gaia, para o indispensável café. Gaia superabundava de turistas nesta altura do ano.

Ao subir da Ribeira para a Sé do Porto, o encontro com duas peregrinas alemãs que se preparavam para iniciar o Caminho, de bicicleta, a partir do Porto propiciou alguns momentos de conversa. As jovens não dispunham de qualquer informação sobre albergues e lugares do Caminho, assim, oferecemos-lhes um guia, que por certo muita utilidade lhes daria, face à completa ausência de informação que dispunham, a não as setas amarelas do Caminho.

Subindo à Sé do Porto para a aposição dos carimbos nas credenciais, apenas no detivemos o tempo necessário para o efeito.

Porto- Vilarinho

Urgia sair do Porto, uma vez que ainda faltavam uns bons cinquenta quilómetros até São Pedro de Rates.
Ao passar na Maia o primeiro contratempo na bicicleta do Aguiar, com problema na pedaleira, o que originou um desvio na procura de alguém que lhe pudesse valer, o que veio a acontecer.
Numa primeira fase ainda o seguimos, mas de pouco adiantava e assim enveredámos novamente pelo Caminho.


A passar a Ponte dos Arcos, rio Ave
A partir de Vilarinho, a paisagem muda radicalmente, o Caminho começa a penetrar por campos agrícolas verdejantes, e à medida que se avança para Nordeste, os vinhedos marcam a tradicional paisagem minhota.

Ponte dos Arcos
Na passagem do Ave, a ponte dos Arcos, as sombras  espelhadas no rio, a velha azenha, enfim toda a zona envolvente, são motivos que apraz registar e lembrar. 

Finalmente, e após 90 km a pedalar e de frequentes paragens para a captação de imagens, eis-nos em São Pedro de Rates. No momento em que seguia com o Joaquim Tavares em direcção ao albergue, eis que apareceu o Aguiar, em velocidade apressada, com bicicleta reparada e pronto para novo empeno!!!

Igreja românica de São Pedro de Rates
O edifício do albergue de paredes antigas e austeras encontra-se bem cuidado e conservado, o pátio interior, bem ajardinado, é muito agradável e convida ao repouso. Nele se insere um telheiro aproveitado como espaço de exposições sobre o Caminho.

Depois de um duche bem merecido, rumei ao pequeno mini mercado próximo do albergue, onde, com apenas sete euros e alguns cêntimos, comprei os ingredientes para fazer o jantar. 

O menu foi esparguete com atum em tomate e cebola, acompanhado por sumo de cereais e para finalizar fruta da época. Para sobremesa bolo de frutos secos, oferta da Sandra, numa palavra, perfeito.

O jantar no albergue

Mas o pior ainda estava para acontecer. A segunda noite foi  nova tormenta, repetiu,-se, desta vez com colunas de som, o concerto musical do primeiro dia. A novidade foi a musica tradicional galaico-portuguesa, onde intrusas concertinas ronqueiras deliciaram os ouvidos do pobre Joaquim. Nem mesmo usando a habitual mascarilha do Zorro conseguiu vencer as gralhas nocturnas. 

A resignação foi total, tanto mais que o maestro do grupo, nessa noite, usou uma camisola de meia manga, com seta amarela.O espírito do Caminho intensificava-se, à medida que se avança no Caminho. São Pedro de Rates, para além do simbolismo histórico que representa, vive de forma entusiástica e hospitaleira a senda do Caminho.

É justo uma palavra de agradecimento para os hospitaleiros do albergue, gente boa, bastante simpáticos e prestáveis. É nobre a sua atenção para com os peregrinos.

No 2.º dia do Caminho, às 07:55 saímos de São João da Madeira e percorremos 90 km, chegando a São Pedro de Rates pelas 20:15.

Fotos da 2.ª Jornada


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Crónica do 1.º dia do Caminho Português, Coimbra - São João da Madeira. - 110km

O momento tão ansiado tinha finalmente chegado, mais uma vez não consegui descansar o tempo que se impunha. Às 06:00 reunimo-nos na garagem do José Botelho para rumar junto à igreja de São Tiago, em Coimbra, onde iniciámos o Caminho Português de Santiago de Compostela.

Após o pequeno ritual das fotos, iniciámos o Caminho, pela margem direita do Mondego. As primeiras pedaladas, pela manhã, eram leves e quase faziam esquecer o peso dos alforges.

Na Mealhada o encontro com um casal de peregrinos da Lituânia
Na Mealhada uma primeira paragem para o indispensável café. Foi também o momento do encontro dos primeiros peregrinos, um jovem casal procedente da Lituânia, com quem trocámos algumas palavras.

O momento era de progredir no caminho, mas o certo é que fomos andando um pouco aos solavancos, com paragens em Anadia, Avelãs de Caminho, Águeda, cidade onde aproveitámos para obter um conjunto de fotos original.

Uma das ruas da baixa de Águeda apresentava-se quase totalmente coberta por guarda chuvas coloridos, formando um efeito engraçado e produzindo agradável sombra para dias de calor, como era o caso.

Continuámos o caminho. À medida que a manhã avançava, o calor começava a fazer-se sentir cada vez mais forte. Depois de passar Águeda, foi altura para cuidar de reabastecer os depósitos de combustível das bicicletas, assim parámos num café em Mourisca do Vouga e tratámos de refrescar as gargantas e da desejada alimentação. Em Pedaçães descemos à Ponte Medieval do Marnel, situada a 100m da antiga Estrada Nacional n.º1 que permitia a travessia de Cabeço do Vouga. A ponte integrava o extenso traçado da antiga via romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo.
Ponte do Marnel
Prosseguimos o caminho com uma paragem forçada na travessia do Vouga, pois a velha ponte por onde haveríamos de passar estava subtraída de um tabuleiro, o que nos obrigou a pedalar um pouco pela IC2, para entrar de novo no caminho.
Após a passagem das "Albergarias", Velha e Nova, um pouco antes de chegar ao extinto concelho de Pinheiro da Bemposta, localidade da qual desconhecia o seu rico património histórico e arquitectónico, ainda conversámos com um peregrino italiano que se lamentava do percurso do Caminho Português, entre Lisboa e Golegã e de Coimbra para Norte, com poucas sombras  e muito asfalto. Concordo, é um martírio para quem viaja, sobretudo a pé.
Pinheiro da Bemposta

Reabastecimento em Oliveira de Azeméis
Em Oliveira de Azeméis impôs-se nova paragem para um pequeno lanche e reabastecimento de água, a sua ingestão frequente é absolutamente fundamental para não se cair em desidratação.

Espigueiro e Ponte Medieval, Cucujães
A jornada aproximava-se do seu termo, em Cucujães, após passarmos por uma pequena ponte medieval, efectuámos uma repentina visita ao exterior do Mosteiro. Finalmente, após alguns quilómetros a subir, chegámos ao centro de São João da Madeira, pelas 19:40, tendo percorrido 110km.  Aqui foi necessário esperar cerca de 40m, junto às instalações da Associação de Bombeiros Voluntários, por um membro da companhia de bombeiros que nos indicou o caminho a seguir.

Fica um pequeno alerta para os peregrinos que utilizem bicicleta, é preferível subir mais um pouco até Arrifana, pernoitando nas instalações dos Bombeiros Voluntários desta localidade, uma vez que para pernoitar no Quartel dos Bombeiros Voluntários de São João da Madeira, é necessário andar em sentido inverso cerca de 5km.
São João da Madeira, final de jornada, 110 km
O dia ainda não tinha acabado, depois de instalados e tomado o tão ansiado duche, foi necessário percorrer mais 2km até podermos encontrar um estabelecimento para repasto.

De regresso ao quartel, onde também pernoitava um jovem casal de peregrinos espanhóis, foi difícil adormecer, primeiro devido ao barulho proveniente do bar contíguo ao pavilhão, depois com um extraordinário concerto de música "ronqueira" protagonizado por um exímio executante na arte de ressonar. A prestação foi tão competente que me deixou sem dormir, tal como ao Joaquim Tavares, uma boa parte da noite. Penso que até nem deixou indiferentes os peregrinos espanhóis ali presentes.

Fotos da 1.ª Jornada

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Caminho Português de Santiago de Compostela, desde Coimbra

Peregrinação a Santiago de Compostela, iniciada a 30 de Julho e finalizada a 3 de Agosto. Regresso no mesmo dia de Comboio (Trem) até Vigo. Em 04 de Agosto Vigo - A Guarda, em bicicleta, com transbordo do Minho em ferry para Caminha. 


A peregrinação de bicicleta a Santiago de Compostela foi efectuada com sucesso, tendo corrido da melhor forma. 

A viagem em bicicleta, ao contrário do que se possa pensar, torna-se mais ingrata em muitos aspectos, sobretudo na disponibilidade física que é preciso evidenciar. Contudo apenas recorrendo à bicicleta se pode percorrer o Caminho num espaço de tempo tão reduzido, 400 km em 5 dias, a pé seria necessário quase o triplo dos dias

A presente mensagem destina-se a agradecer a amabilidade dos amigos que desejaram um Bon Camino e todos os que por alguma forma contribuíram, dentro do espírito do mesmo, para a prossecução de vivências que ajudaram à concretização dos objectivos esperados. 

As imagens captadas com alguns peregrinos colocadas neste espaço, conforme promessa efectuada aos mesmos. Em breve e espaçadamente será colocada a crónica dos cinco dias do Caminho e as incidências do regresso a casa, as experiências vividas, procurando enfatizar sobre o tipo de relacionamento espontâneo e por que não dizer fraterno entre a comunidade peregrina, exemplo do que poderia e deveria ser o quotidiano.

Caminho Português 2013 - Peregrinos a Santiago

No regresso a casa, festa em Baiona, vídeo.






terça-feira, 16 de julho de 2013

Caminho Português de Santiago 2013

No Mosteiro de Santa Clara-a-Nova- Carimbo da Credencial
Após percorrer, em 2012, o Caminho Português de Santiago de Compostela, por terras da Beira e Trás-os-Montes e Alto Douro, até Santiago de Compostela, já procedo à contagem decrescente para mais um Caminho, desta vez ligando as cidades geminadas de Coimbra e Santiago de Compostela, passando por Mealhada, Anadia, Águeda, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Porto, Vilarinho, São Pedro de Rates, Barcelos, Ponte de Lima, Rubiães,Valença, Redondela, Pontevedra, Caldas de Resis e Padrón.

Têm sido muitas as pessoas que me têm perguntado sobre as motivações destas várias peregrinações que vamos fazendo, se religiosas, culturais, históricas, férias baratas?! Não tenho sabido responder, mas, na verdade, acaba por ser um pouco de tudo.

Coimbra
Fazer os Caminhos é um ritual que tem sucedido desde 2007, com um interregno de dois anos pelo meio, com enorme entusiasmo, procurando partilhar vivências com todos os que se interessam pelo fenómeno. É, na verdade, uma experiência fantástica.
Bom Caminho, Buen Camino.



Fotos da Cidade de Coimbra

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Mobilidade - vias cicláveis em San Sebastian e o caso de Torres Vedras com as "Agostinhas"

Aqui deixo dois links que testemunham magníficos exemplos de qualidade de vida urbana em Portugal, na cidade de Torres Vedras e em Espanha, na cidade de San Sebastian. Infelizmente são que não encontram eco em Coimbra, onde, através do "Programa Civitas", os responsáveis locais perderam uma excelente oportunidade para ser bem mais audaciosos, candidatando a cidade à reformulação de arruamentos adequados à actualidade, com a introdução de ciclovias, onde os ganhos com a mobilidade sustentável seriam notórios. Peço que me desculpem, mas existe uma nítida falta de visão de pensar a Cidade.
Em Torres Vedras deve enaltecer-se a iniciativa da Câmara Municipal, ousada, sem dúvida uma iniciativa muito feliz.
Desde 2008 que venho reclamando, sempre que me é dada a oportunidade para estar próximo de alguém responsável, para uma iniciativa parecida em Coimbra, que acredito muito beneficiaria os cidadãos da nossa urbe, bem como aqueles que nos visitam, principalmente agora que tanto se fala de Coimbra Património da Humanidade, parece que só agora, em 2013, é que despertou para iniciativas estruturantes, ao fim de quase duas décadas e meia. Neste "botar de faladura" apenas ganhei ser considerado tolinho por uns e ignorante por outros, cabeças pensantes da nossa Praça, que mudam de opinião em função de conveniências, sobretudo que tragam benefícios mediáticos.
Enquanto isso as poucas vias cicláveis, construídas, vai para 15 anos, encontram-se em estado lastimável e de perigosidade. Enfim...

As Agostinhas em Torres Vedras



O Programa "Civitas" em San Sebastian 

Ciclovia em San Sebastian

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Caminho Português de Santiago

O primeiro passo para a efectivação da ligação, entre Coimbra e Santiago de Compostela está dado,  com a obtenção da credencial do peregrino, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Caminho Inglês

Caminho Inglês 2009

Um pouco da história


Ferrol - Início do Caminho
O Caminho Inglês foi uma rota de peregrinação jacobeia  muito utilizada na Idade Média, em alternativa à rota mais seguida pelos peregrinos, o Caminho Francês.

Aos portos de Ferrol e Corunha, assim como a Ribadeo e Viveiro, afluíam peregrinos de barco provenientes das ilhas britânicas, das penínsulas escandinavas, alemães e flamengos.

No século XII, mais precisamente no ano de 1147, a esquadra da Segunda Cruzada, com destino à Terra Santa, de má memória para os cristãos, efectuou, a pé, o caminho entre os portos Ferrol e da Corunha e Santiago de Compostela, com o fim de visitar o túmulo do apóstolo, antes de participar naquela que foi a única vitória cristã, precisamente a reconquista de Lisboa, em 1147, sob a solicitação de Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. 

Torre dos Andrades - Pontedeume
Do primeiro itinerário marítimo conhecido,  sabe-se que foi escrito entre 1154 e 1159, por um monge islandês, que relata a sua viagem desde a Islândia até Bergen na Noruega, passando pelo canal de Kiel, na fronteira entre a Dinamarca e Alemanha.  O monge seguiu a pé até Roma, a caminho da Terra Santa, outros, escandinavos e islandeses, fizeram a rota a pé, por Roncesvalles, enquanto outros aportaram ao norte da Península Ibérica, fazendo depois a rota a pé, pelo Caminho Inglês até Santiago.

Nos séculos XIV e XV a Guerra dos Cem Anos, entre ingleses e franceses, fez crescer os utilizadores deste itinerário, com muitos peregrinos a chegarem de barco aos locais atrás referidos, e provenientes de Londres, Bristol, Southampton e Plymouth, aproveitando também para efectuar trocas comerciais com mercadores galegos.

O Caminho Inglês conheceu passou a ser pouco menos utilizado a partir da ruptura assumida por Henrique VII (1509-1549) com a Igreja Católica.


O meu Caminho Inglês em 2009


Gare de Compostela
Em 04 de Setembro de 2009 iniciámos a viagem de automóvel de Coimbra até Santiago de Compostela.

O planeado era viajar de  comboio até à Corunha e daqui fazer a ligação a Ferrol em bicicleta, para percorrer o Caminho Inglês até Compostela em dois dias.

Assim, nesse mesmo dia 4 de Setembro fomos dormir no albergue de Neda, para iniciar no dia seguinte a nossa empresa. O albergue ficou por nossa conta, apenas um peregrino alemão nos fez companhia.

Ligação Corunha-Ferrol
Em 2008, quando em companhia do Joaquim Tavares e do José Botelho fizemos o Santiago-Finisterra - Muxia,  já tinha ficado no ar a intenção de fazermos um  Caminho em 2009,  mais tarde decidimos que seria o Caminho Inglês, a partir de Ferrol. Também o poderíamos ter percorrido a partir da Corunha ou mesmo Ribadeo, a dúvida subsistiu quase até ao fim.

Em Ferrol, para além se tomar o pequeno almoço, aproveitámos para visitar e fotografar a cidade natal do Caudilho, o General Franco, figura controversa e incontornável que marcou sem dúvida um longo período da história de Espanha e peninsular.


Ferrol - Praça do Caudilho

Para além de uma volta pelo centro histórico, aproveitámos para espreitar o arsenal da marinha espanhola. No Porto Antigo, iniciámos o Caminho, precisamente junto ao marco que o assinala. Prosseguimos paralelos à baia de Ferrol até chegar a Neda, onde dormíramos na véspera e onde nos cruzámos com a sinalização do caminho que leva ao santuário de Santo André de Teixido.

Ponte pedonal - Neda
Também conhecido como Santo André de Lonche ou Santo André do Cabo do Mundo e que se situa  a cerca de 12 km de Cedeira, no meio da serra da Capelada, em redor da costa de Ortegal,escondido entre penhascos e bosques, numa zona de escarpada orografia, o lugar está protegido de temporais, com características de promontórios celtas, que procuravam espaços mágicos que penetrassem no mar.

Assim, de Neda seguimos para Fene, passando perto dos estaleiros e a partir desta localidade subimos um monte até encontrarmos a estrada paralela ao Caminho que nos levou a Cabanas, 

Playa da Magdalena - Cabanas
Antes, porém, o Botelho e o Joaquim, enquanto bebiam a sua cervejinha resolveram  tirar todas as medidas da praia de Cabanas!!  No meu caso preferi adoptar uma atitude mais deinteressada, face à paisagem das montanhas!!!


Em Pontedeume  apreciei o seu excelente enquadramento paisagístico, onde a ponte, a baia e a Torre dos Andrades são, sem dúvida, os seus ex-libris.
Pontedeume
Depois de Bañobre, cruzámos a ponte medieval sobre o río Baxoi, coincidindo com o Caminho Real, andámos cerca 300m. por um caminho de terra até chegar a Miño , onde gozámos um banho na ria e nos deliciámos com a cozinha galega, num restaurante integrado na zona verde contígua à praia.

 Ponte medieval sobre o río Baxoi,
Particularmente saboreei uns magníficos Chipirones, enquanto o Quim e o Zé se entretiveram com um bem confeccionado prato de carne de cerdo  e batatinhas fritas.

Após o banho na praia e a farta refeição, quem iria vencer a subida de forte inclinação, apenas pela sombra de proveniente de frondosos bosques de carvalhos e castanheiros, para chegar a Betanzos?!

Praça central de Betanzos, antiga capital da Galiza

Mas, lá tivemos que prosseguir para  a bonita cidade Betanzos, antiga capital da Galiza, onde decidimos pernoitar. Trata-se de uma cidade tipicamente galega, banhada pela ria que lhe dá o nome e a graça.

O Caminho Inglês caracteriza-se sobretudo pelo verde dos bosques, com uma primeira parte a decorrer paralela à ria de Ferrol e depois de Betanzos. As duas subidas de relevo mais acentuado, embora difíceis, também não nada que não se possa fazer.

Peregrinos a cavalo no Caminho Inglês
É um Caminho tranquilo onde se convive muito bem com a natureza e a pacatez do quotidiano rural galego. A sombra dos bosques na maior parte do seu trajecto ajuda a torná-lo bastante agradável de percorrer.

Os Três Santiagos Matamouros 
A chegada a Santiago é sempre mítica, com o aproximar da Praça do Obradoiro sente-se mais presente o espírito do Caminho . Quase em sobreposição à alegria de mais uma etapa cumprida, é indisfarçável uma certa nostalgia, ficando a ideia, quase o compromisso, de repetir no ano seguinte.


domingo, 23 de junho de 2013

Rio Mondego -Trilho Ribeirinho

A freguesia de Torres do Mondego, no concelho de Coimbra, oferece-nos um conjunto de opções para quem goste do turismo da natureza. Bafejada pela sorte que lhe trouxe o rio Mondego a seus pés,  é coberta por farta mancha florestal, onde se se inclui a Mata Nacional de Vale de Canas, local aprazível com algumas espécies arbóreas centenárias,  começa a agora a deixar para trás os prejuízos incalculáveis do incontrolável incêndio de 2005 que deixou Coimbra a arder. O coração da Mata estende-se por cima das encostas que descem sobre o rio, numa ligação interrompida pelos lugares de Vale de Canas, Casal da Misarela, Torres do Mondego e pela Estrada Verde, que flanqueia o Mondego, na sua margem direita, entre Coimbra e Penacova.
Existe ainda muito trabalho para efectuar, sobretudo na desmatação de caminhos, no aproveitamento de muitos lugares de interesse paisagístico que a natureza oferece. 
Neste âmbito apraz registar e enaltecer o trabalho pensado e projectado pelo geógrafo João Paulo dos Reis Simões e corporizado pela Junta de Freguesia de Torres do Mondego, de que resultou o Trilho Ribeirinho, exemplarmente descrito na imagem que abaixo se mostra. 

FotosTorres do Mondego-Trilho Ribeirinho, Praia Fluvial e Vale de Canas

Link do Trilho


Nota: Para melhor visualizar o percurso pedestre, aconselha-se a guardar a imagem, e fazer zoom